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Mobilidade elétrica pode cortar 30 mil postos de trabalho na Volkswagen

A ameaça está no ar e foi feita por Herbert Diess, o CEO do grupo VW: a transformação da Volkswagen em construtor 100% elétrico pode custar até 30 mil postos de trabalho!

Foi o jornal alemão Handelsblatt quem deu a conhecer este facto: Herbert Diess tem estado a trabalhar num plano de reestruturação radical do grupo alemão e no conselho de supervisão anunciou que a mudança para a mobilidade elétrica poderá custar até 30 mil postos de trabalho só na marca Volkswagen.

Ou seja, seria o corte de um em cada quatro empregos da marca de Wolfsburg. Uma verdadeira chacina social.

A ideia de DIess gira em torno do Projeto Trinity, que está a desenvolver um novo modelo com sistema operativo próprio da VW, capacidade de condução autónoma total e autonomias alargadas.

Mas a direção da Volkswagen pediu, também, que a produção dos novos modelos dedicados á mobilidade elétrica seja mais simples, fácil e rápida.

A partir de 2026, a Volkswagen irá lançar carros muito mais simples de produzir com uma redução da complexidade verdadeiramente impressionante. Exemplos? Quando vai comprar um Golf ou um Polo, tem milhões de variantes e possibilidade de combinação de equipamentos. A VW quer que os produtos saídos do projeto Trinity não tenham mais de uma centena de opções.

Ora, tudo isto deixa claro que a produção passa a ter menos etapas de assemblagem, menos estações com exigência de mão humana, logo é preciso menos gente, menos trabalhadores.

O grupo Volkswagen já fez essas alterações em unidades de produção como Zwickau e Bruxelas, Hanôver e Emden, mas tem deixado de parte Wolfsburg. Contra a vontade de Herbert Diess que referiu na aludida reunião que essa estratégia está profundamente errada porque “é preciso começar pelo centro para que os outros de mexam!”

Herbert Diess nunca escondeu a admiração pela Tesla e o desejo secreto de bater Elon Musk. Por isso o Projeto Trinity terá uma plataforma muito mais simples e barata de produzir com a ideia de ter um molde único que, de uma vez só, faça aquilo que hoje obriga a soldar muito painéis com mistura de materiais.

Não é um ovo de colombo porque a Tesla está a testar essa forma de produção na sua nova unidade fabrico alemã de Grunheide.

Por outro lado, Herbert Diess está deveras pressionado. A unidade gigantesca de Wolfsburg está a trabalhar a meio gás e em 2020 produziu meio milhão de unidades, ou seja, ficou abaixo da média de 750 mil unidades/ano da última década!

Situação preocupante, pois os custos são enormes, particularmente salariais, numa fábrica que estava comprometida com o conselho de supervisão com 820 mil unidades/ano. Que chegou a ter um objetivo, felizmente não outorgado, de 1 milhão de unidades por ano.

A Volkswagen emprega em Wolfsburg mais de 51 mil pessoas, mas sabe-se que foi feito um estudo sobre a mobilidade elétrica que assegura serem precisas, apenas, 20 mil pessoas para fabricar meio milhão de carros. Estão a ver a matemática?! 

Se há 51 mil pessoas em Wolfsburg e são precisas apenas 20 mil, sendo ainda menos quando passar à produção de veículos somente 100% elétricos, estão a mais, para já, 30 mil e no final da década mais uns 10 mil. 

Agora imaginem que a Volkswagen tem mais de 600 mil pessoas empregadas e qual seria o tamanho da poupança se a casa alemã emagrecer os seus quadros na proporção de 1 em cada 4 empregos… pois, são quase 150 mil postos de trabalho!

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