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Ensaio Volkswagen Polo TSI 110 DSG7 R-Line: cada vez mais perto do Golf

Cada vez mais perto do Golf, o Polo recebeu atualização para se manter ao nível dos rivais, jogando o trunfo da tecnologia e eletrónica que ajuda à condução e defende os passageiros. O motor 1.0 TSI é agradável, mas a caixa DSG deixa algo a desejar.

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Habitabilidade, Bagageira, Polivalência, refinamento
  • Contra – Caixa, alguns materiais, preço

Os muitos anos que levo nesta tarefa de vos dar a conhecer as novidades do mercado, permitiram-me conhecer as várias versões do Polo e a evolução tem sido tremenda e por isso estou perfeitamente à vontade para dizer que a proximidade com o Golf é clara e evidente. O renovado Polo é um carro com um acerto de suspensão que oferece conforto a quem viaja dentro deste Volkswagen. Os bancos têm bom suporte do corpo e encarar uma autoestrada ou uma via municipal dá igual ao Polo. E a quem conduz, claramente.

Há um parceiro que ajuda, e de que maneira!, a esta sensação: o motor de 1.0 litros a gasolina. Que acoplado á caixa DSG de 7 velocidades, mostra-se pujante e galhardo a partir das 1700 rpm. Mas aqui há novidades.

Se comprar o Polo renovado, terá direito a uma nova versão do bloco 1.0 litros sobrealimentado. Sim, a Volkswagen não fez alarde disso, mas os blocos tricilindricos de 999 c.c. receberam uma atualização (conhecida internamente como Evo) que trocou o turbo de geometria fixa por um de geometria variável e passou a usar o ciclo de combustão Miller – o mesmo principio do ciclo Otto, mas com uma fase de expansão mais prolongada que a fase de compressão, também conhecido como ciclo de 5 tempos porque há uma compressão com a válvula de admissão aberta – pensado para diminuir o consumo e melhorar a eficiência.

Se o motor não é problema e numa utilização quotidiana tudo acontece sem dificuldades, a única oferta em termos de transmissão é a caixa DSG de 7 velocidades. E aqui tenho de dizer que preferia uma caixa manual. Eu explico.

Para ajudar à eficiência, o Polo tem modo Eco e modo S. O primeiro é, naturalmente, castrador, mas o modo D da caixa é muito igual ao Eco, ou seja, anda sempre a baixar as rotações e só faz reduções se formos decididos no acelerador.

Acredito que esta ideia de ter um pedal do acelerador que demora algum tempo a reagir e uma caixa lenta de processos, desencoraja a sua utilização e saltar para o modo S. 

Aqui a caixa é mais reativa, porém, a caixa tem um escalonamento estranho no modo S e para chegar à 7ª velocidade e tentar poupar alguma coisa temos de passar pelos 110 km/h. Ou seja, com alguma habilidade é precisa para andar a saltar do D para o S (é só empurrar ou puxar a alavanca).

Felizmente a caixa é adaptativa e o modo S numa estrada sinuosa funciona bem e faz reduções assim que levantamos o pé, o que dá jeito ali na Lagoa Azul ou a subir ao Bom Jesus.

Mas é uma pena que um sistema tão saudado e imitado em todo o mundo, no Polo surja numa versão bem menos suave que o habitual, as embraiagens escorregam em demasia e dá uns sacões pouco agradáveis. 

Talvez tenham feito de propósito para que o Polo pareça um carro pouco dado a aventuras desportivas. 

O Polo tem um excelente chassis que é traído por uma direção pouco consistente, sem sensibilidade, mas que não “nos ataca” nem faz o carro ter comportamentos estranhos. Há aderência mais que suficiente para um ritmo mais ousado, particularmente naquela estrada municipal.

CADA VEZ MAIS GOLF!

A Volkswagen foi ao limite para renovar o Polo e tornou-o um verdadeiro Mini Golf. A frente com faróis LED, o formato dos farolins traseiros, enfim, um desenho que quase  cola ao do Golf.

Mas a VW não quis apenas aproximar o Polo do Golf com o estilo. Não, não… na qualidade também. O tabliê, em todas as versões, passa a ser acolchoado e os revestimentos e materiais são de primeira água, afastando-se de forma clara do Audi A1 e atropelando o Peugeot 208 e o Renault Clio.

Como não há maneira dos alemães darem um pouco de cor ao habitáculo dos seus carros, fica a qualidade dos materiais e da construção. Mesmo que aqui e ali alguns plásticos duros, escondidos é verdade, sejam traidores desse quadro geral de enorme qualidade.

A posição de condução é perfeita e, como disse acima, os bancos suportam bem o corpo. Há muitos ajustes para serem feitos na busca da melhor posição de condução. Atrás, volta o Polo a ser excelente com uma habitabilidade generosa, enquanto a bagageira está bem desenhada e com suficiente capacidade (333 litros).

EQUIPAMENTO DE SEGURANÇA

O Golf, perdão, o Polo foi atualizado na tecnologia e na defesa dos ocupantes. Há um airbag entre os bancos dianteiros para minimizar os danos em caso de impacto lateral. O volante é novo e recebe mais alguns botões, há duas portas USB-C à frente e duas atrás, o painel de instrumentos, finalmente, deixa de ser analógico sendo, agora, totalmente digital. 

O ecrã central é de 8 polegadas e com os botões sensíveis ao toque, tudo é muito parecido com o Golf. Mas são todos eles muito menos práticos de utilizar do que os manuais. Curiosamente, o sistema para manter o carro no meio da faixa de rodagem, desliga-se quando se desliga o carro, sendo necessário ligá-lo. 

Nesta versão R-Line, o equipamento é muito completo e por isso o preço sobe para lá dos 25 mil euros. O que é uma pena.

O QUE É QUE EU PENSO DESTE POLO?

É um excelente automóvel que custa dinheiro, justificado com o facto de estar cada vez mais perto do Golf. Aliás, se procura um carro bem construído, com uma excelente posição de condução, conforto e um comportamento que, não sendo desportivo, deixa alguns aspirantes a isso a lamber as feridas no final de um troço sinuoso. Enfim, estamos perante um carro refinado, fácil de conduzir e bem equipado no que toca à segurança e às ajudas à condução. Melhor do segmento? Muito provavelmente.

Ficha técnica

Motor: 4 cilindros em linha, direção direta e turbocompressor; Cilindrada (cc): 999; Potência máxima (CV/rpm): 110/5000; Binário máximo (Nm/rpm): 200/2000 – 3000; Transmissão: dianteira, caixa automática DSG com 7 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 10,4; Velocidade máxima (km/h): 195; Consumos (l/100 km): 5,5; Emissões CO2 (gr/km): 125; Dimensões e pesos Comp./Lar./Alt. (mm): 4074/1751/1451; Distância entre eixos (mm): 2552; Largura de vias (fr/tr mm): 1526/1509; Peso (kg): 1132; Capacidade da bagageira (l): 333/1125; Deposito de combustível (l): 40; Pneus (fr/tr): 215/45 R17; Preço da versão ensaiada (Euros): 25.705