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Ensaio Ford Kuga 2.5 FHEV ST Line: entre tanto Kuga para escolher, é este o certo?

A Ford aposta, claramente, nos SUV para o futuro e porque é adepta do tiro com salva, oferece um motor a gasolina, três diesel sendo um deles com hibridização ligeira 48 volts, um híbrido Plug In e este híbrido convencional. A questão é esta: entre tanta oferta, este híbrido é a escolha certa?

Rating: 4 out of 5.
  • A Favor – Comportamento, solidez dos comandos, suavidade
  • Contra – Interior a necessitar de revisão, alguns materiais

A Ford justifica esta capilaridade de oferta pelo facto do Kuga formar com o Puma o centro da oferta da casa da oval azul norte americana no Velho Continente. 

Faz bem a Ford em seguir esta via? As vendas dizem que o Focus e o Fiesta estão a deslizar e os dois SUV mantêm-se firmes nas listas dos mais vendidos na Europa. Portanto…

E ENTÃO QUE KUGA É ESTE?

A Ford entregou-nos este Kuga na versão equipada com o sistema FHEV, ou seja, “Full Hybrid Electric Vehicle”, ou seja, está equipado com o bloco Duratec com 2.5 litros de cilindrada.

Sim, a Ford optou por um motor de grande cilindrada porque é sabido que os consumos são mais bem controlados com maiores cilindradas. É uma coisa técnica que não vou aqui explicar porque levaria muito tempo e o caro leitor ia embora.

O bloco é atmosférico e está ligado a um motor elétrico que é auxiliado por uma bateria de 1,1 kWh. O motor de combustão funciona com ciclo Atkinson e debita 152 CV, enquanto a unidade elétrica tem 125 CV. 

Contas feitas, são 190 CV e um binário de 370 Nm, que são enviados para as rodas da frente através de uma caixa de variação contínua (CVT).

E ENTÃO COMO FUNCIONA O SISTEMA HÍBRIDO DO KUGA?

Sendo um híbrido sem recarga externa da bateria, o sistema é totalmente automático e, quase, não temos de fazer nada. 

A eletrónica está encarregue de cuidar de tudo, ou seja, alternar entre os modos de condução consoante o andamento. E tenho de dizer, tudo funciona de forma suave. E até a caixa CVT se mostra discreta, simulando as passagens de caixa de forma competente. Que acaba por esconder o efeito elástico deste sistema de transmissão.

Curiosamente, o menos discreto é o grande quatro cilindros que “gosta” de dar nas vistas. Em muitas, demasiadas, ocasiões faz-se escutar e consegue passar algumas vibrações á coluna de direção quando o esforço é maior.

Com 190 CV e um peso de 1700 kgs, o Kuga não é um carro lento: leva 9,1 segundos dos 0-100 km/h. Mas a Ford quis manter alguma flexibilidade e por isso, se mantivermos o andamento calmo, a parte elétrica entre em ação.

Tudo o que for abaixo dos 30 km/h, ou seja, manobras, estacionamento e arranque ou o progresso em engarrafamento, está a cargo da parte elétrica. E se quiser recuperar mais depressa a carga da bateria, basta carregar no botão L colocado no centro do comando rotativo da caixa de velocidades.

E QUAIS SÂO, ENTÃO, AS DIFERENÇAS DESTE KUGA FACE AOS OUTROS?

Infelizmente, não conheço os outros Kuga e lamento não poder oferecer-vos uma ideia clara e nem sequer responder de forma assertiva à pergunta que faço no título.

Porém, há algumas coisas que posso dizer e que servem de bitola para uma apreciação deste Kuga.

ENTÃO, EM UTILIZAÇÃO, COMO É ESTE KUGA FHEV?

Em primeiro lugar, a Ford não traiu o seu ADN e o Kuga continua a ser um SUV com um excelente comportamento, fácil de conduzir e com uma boa posição de condução.

A direção é dinâmica e eficaz, o eixo dianteiro tem muita aderência e o amortecimento do carro controla muito bem os movimentos da carroçaria. O chassis Sport do ST-Line mostra-se um pouco seco, mas nunca com um nível de desconforto que vá transformar uma viagem num pesadelo. 

Aliás, o compromisso comportamento/conforto é excelente como sucede amiudes vezes nos carros da Ford. 

VÁ, COMO É EM TERMOS DE CONSUMOS? BEBERRÃO OU PISCO?

A Ford diz que o Kuga FHEV consume 5,4 litros por cada centena de quilómetros com 125 gr/km de emissões de CO2. O que lhe posso dizer? O Kuga irá recompensá-lo dependendo da forma como conduzir o Ford. 

Enquanto esteve comigo, registei consumos entre os 5,3 e os 8,6 l/100 km. Os 5,3 litros surgiram no computador de bordo quando fiz tudo de forma certa: não exagerando nas rotações, andando sempre dentro dos limites de velocidade, aproveitando todas as rampas e descidas para regenerar e carregar a pequena bateria, usando o ar condicionado de forma judiciosa e resistindo nas estradas nacionais e municipais.

Quer isto dizer que o Ford Kuga FHEV, que tem um depósito de 54 litros, tem uma autonomia de… 1000 km, mais coisa menos coisa! Mas terá de ser bem-comportado, não exagerar na velocidade nem na agressividade sobre o acelerador e ter muita paciência.

Se quiser aproveitar as qualidades do Kuga em andamento e privilegiar as autoestradas, vai deitar fora a economia e o computador de bordo vai dizer-lhe que está a gastar mais de 8 litros por cada centena de quilómetros.

Espantado? Não fique, pois, os híbridos são assim mesmo, tal como os híbridos Plug In são ineficazes se não se carregar a bateria.

Fica a ideia: a eficácia dos híbridos está, sempre, ligada á forma como os conduzimos e como os utilizamos.

O QUE É QUE EU PENSO DESTE KUGA FHEV?

O Kuga é um carro desejável e muito agradável de utilizar. Eficaz no comportamento, espaçoso quanto baste no interior – habitáculo que começa a precisar de renovação e tem alguns materiais de menor valia, mas uma montagem excelente perdoa – eficiente desde que respeitemos o sistema híbrido. Não há cabos para recarregar e não há múltiplos modos de condução. Tudo simples e eficaz. A autonomia, respeitando, uma vez mais, o sistema híbrido, é excelente. Porém, o Kuga PHEV será sempre mais interessante para as empresas pelas vantagens fiscais. Para os particulares este Kuga FHEV pode ser uma boa opção face aos modelos diesel. Resta a versão a gasolina que acabará por ser a mais sedutora, por via do preço (são quase 10 mil euros menos!). Mas se quiser mesmo um híbrido, por uma diferença inferior a mil euros, escolha o Ford Kuga Plug In. 

Ficha técnicaMotor: 4 cilindros com ciclo Atkinson e motor elétrico acoplado; Cilindrada (cc): 2488; Potência máxima (CV/rpm): 152/5200; Binário máximo (Nm/rpm): 200/3600; Transmissão: dianteira, caixa CVT de variação contínua; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/Independente duplo triangulo; Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 9,5; Velocidade máxima (km/h): 196; Consumos (l/100 km): 5,3; Emissões CO2 (gr/km): 125; Dimensões e pesos Comp./Lar./Alt. (mm): 4614/1883/1658; Distância entre eixos (mm): 2710; Largura de vias (fr/tr mm): nd; Peso (kg): 1698; Capacidade da bagageira (l): 405/1481; Deposito de combustível (l): 54; Pneus (fr/tr):225/60 R18; Preço (Euros): 44.890; Preço da versão ensaiada (Euros): 46.252