Elétricos

Primeiro ensaio Kia EV6: um passo em frente na afirmação da Kia

O EV6 é, na essência, o mesmo carro que o Ioniq 5 da Hyundai, mas o modelo da Kia vai muito mais longe em termos de estilo e dinamismo, com a capacidade de recarga e a autonomia a figurarem como destaques de um elétrico… desejável!

O convite surgiu e não perdi a oportunidade de me sentar e conduzir o EV6, mesmo que fossem curtos 10 km dos quais metade foi no meio do trânsito. Mas foi o que se pode arranjar e acredito que daqui a umas semanas terei a oportunidade de experimentar com mais propriedade o Kia EV6.

Ainda antes de lhe dizer o que penso do EV6, tenho de destacar alguns pontos importantes deste carro 100% elétrico.

Desde logo a capacidade de carregamento ultrarrápido 800 volts. E o EV6 consegue fazer melhor que o Hyundia Ioniq 5, pois, aceita 240 kW de potência contra 220 kW do “primo”. 

Depois, um interior que nos deixa perplexos a pensar “e se isto avaria tudo?!” tal o grau de sofisticação e tecnologia embarcada.

Finalmente, o estilo do EV6 que equilibra de forma perfeita o futuro com o presente, sendo que o carro ao vivo é muito mais interessante e giro que em fotografia.

Ora, quem desenhou o Kia EV6 foi Luc Donckerwolke, um belga que decidiu inspirar-se… no Lancia Stratos. 

Confesso que olhei, voltei a olhar… medi e voltei a olhar e, com muito esforço encontro algo do belíssimo Stratos as cavas das rodas alargadas para cima… a forma como a superfície vidrada termina numa curvatura que pode lembrar as portas do Stratos e, vá lá, a forma em cunha. 

Seja como for, o desenho do EV6 é sedutor e a forma do carro esconde os 4,68 metros que mede. A frente que parece querer saltar para diante e os ombros largos oferecem uma silhueta agradável à vista, dinâmica e que fecha numa traseira diferente. Um bom exercício de Donckerwolke!

Quanto à mecânica, varia em função do tamanho da bateria. O EV6 é vendido com um pacote de 58 kWh e outro de 77 kWh. O modelo que me tocou em sorte neste primeiro ensaio tinha o propulsor com 170 CV e 350 Nm de binário com a bateria de 58 kWh, capaz, diz a Kia, de uma autonomia de 578 km. A variante de 77 kWh tem 229 CV, mantendo, os dois, tração traseira. 

Infelizmente, o percurso de 10 km escolhido, tentava percorrer as estradas do GP de Portugal de F1 que se realizou no Monsanto, mas as eternas obras e o muito trânsito tornaram debalde qualquer impressão mais concisa sobre o Kia EV6.

O que posso dizer? Que tem uma posição de condução um nadinha estranha, o interior é dominado pelo ecrã curvo do mais belo efeito, a consola central flutuante é um belo detalhe e que há muito espaço dentro do EV6.

Não experimentei o grande trunfo dos 18 minutos para recarregar a bateria dos 10 aos 80%, mas acredito que seja assim dada as características do sistema de carregamento que já expliquei.

O sistema “V2L” é muito interessante. No fundo é um módulo que se aplica na ficha de carregamento e que transforma o carro num grande “power bank” que alimenta aparelhos elétricos de 220 v e 3,6 kW. Ou seja, pode ligar um sistema de som, um grelhador, uma máquina de café ou qualquer outro aparelho elétrico. Ou seja, pode ir fazer um “picnic” e ligar até um pequeno grelhador e a máquina do café.

Os curtos quilómetros feitos demonstraram que o sistema de suspensões independentes nos dois eixos está afinado para ser capaz em termos de comportamento. Uma situação recorrente conhecida como “o gosto dos europeus” que com os carros elétricos começa a ser um mito. 

Porque o comportamento mais desportivo era desejável pelos europeus nos carros com motores de combustão interna, nestes elétricos não há essa preocupação e o conforto é a opção mais desejável.

Seja como for, o EV6 tem amortecedores ZF de alto desempenho que controlam os movimentos da carroçaria e um comportamento que me pareceu preciso. Pelo menos no par de curvas feitas no Monsanto. E confirmei que o conforto não é, mesmo, a prioridade do EV6. Porém, reservo a minha opinião definitiva para quando puder fazer algumas centenas de quilómetros com o Kia.

Consumos e autonomias são questões que, evidentemente, não foi possível aferir o desempenho do EV6. Mas posso dizer que no trânsito, o Kia é suave de utilizar e confortável com o para arranca a ser feito sem dificuldade.

O QUE É QUE EU PENSO DO EV6?

Desde logo fico boquiaberto por ter a mesma tecnologia do Porsche Taycan por uma fração do preço, sendo esta capacidade de carregamento do EV6 um dos grandes trunfos. Depois, não sendo um adepto do trabalho de Luc Donckerwolke, este EV6 é muito bem pensado, mesmo que dificilmente consiga perceber ali a influência do Lancia Stratos. Finalmente, gostei do ambiente a bordo, da tecnologia e das sensações oferecidas pelo carro. Não vou ser definitivo na minha avaliação, porque foram apenas 10 km de ensaio, mas, para já, o Kia EV6 fica rotulado, por mim, como excelente. E os 18 minutos de recarga de 80% da bateria… deixam-nos a salivar!