Afinal, quando é que os motores de combustão interna vão acabar? O Calendário Autoblogue responde!

Afinal, quando é que os motores de combustão interna vão acabar? O Calendário Autoblogue responde!

26/10/2021 0 Por Autoblogue
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Nos corredores do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia continuam as negociações sobre o fim dos motores de combustão interna. Alguns já se adiantaram às decisões políticas.

Porém, nem todos anunciaram datas para colocarem fim à produção de veículos com motores de combustão interna. Estão na expetativa e recusam-se a ceder como aconteceu com outros. 

Seja como for, o motor de combustão interna está a ser cada vez mais colocado á prova. A União Europeia está a fazer forte cerco aos construtores, ao mostra cada vez menos tolerância e a impor limite de emissões de CO2 cada vez mais draconianas.

O plano europeu “Fit for 55” é claro: a Europa deve reduzir em 55% as emissões de CO2 até 2030, comparando com os números de 1990 e, depois, 100% em 2034 face aos valores do mesmo ano.

Se este programa for por diante, evidentemente que o motor de combustão interna vai desaparecer em 2035, mesmo que o plano “Fit for 55” diga em algum do seu articulado que o motor de combustão é banido.

Porém, se o calendário for aprovado, será uma questão de tempo o anúncio do fim do motor de combustão interna em 2035.

Curiosamente, a indústria automóvel tem mostrado uma posição ambígua. Por um lado, vai alertando para o facto da transição ser demasiado rápida e ter custos sociais pesados (milhares de postos de trabalho vão ser incinerados). Por outro, vai anunciando datas para o final da produção de motores de combustão interna, sem saberem se será 2035 ou não que os motores de combustão interna vão acabar.

Por isso mesmo, há outros que se mostraram cautelosos e não tomaram decisões.

Sabe quais foram os construtores que já anunciaram o fim dos motores de combustão interna? E os que não anunciaram? O AUTOBLOGUE conta-lhe tudo!

CONSTRUTORES QUE ANUNCIARAM O FIM DO MOTOR DE COMBUSTÃO

Alpine – A casa de Dieppe será a primeira marca a abandonar os motores de combustão interna já em 2024. A gama europeia da Alpine será 100% elétrica daqui a dois anos com uma gama completa que estará assente na plataforma CMF-EV. O primeiro modelo será uma versão desportiva do novo Renault 5, depois chegará um SUV e, finalmente, o substituto do A110 que vai surgir em 2026 numa colaboração com a Lotus.

Jaguar Land Rover – O grupo britânico pertença da indiana Tata, está há algum tempo a planear a troca dos motores de combustão interna pelos motores elétricos. A velocidade será diferente para as duas marcas: a Jaguar será 100%b elétrica já em 2025, a Land Rover só depois de 2030. Thierry Bolloré, o CEO da JLR, apresentou recentemente o plano “Reimagine”, que trará a mobilidade 100% elétrica para a Jaguar. Para a Land Rover, o motor de combustão interna é essencial para os seus clientes e vendendo apenas SUV e modelos de tração integral, a transição será feita em 2030, mas já em 2025 serão lançados seis novos modelos 100% elétricos que assumirão 60% das vendas em 2030. Até 2035 a Land Rover deixará os motores de combustão interna, embora não seja claro que isso suceda caso a União Europeia não consiga fazer vingar a sua vontade.

Alfa Romeo – Jean Phillippe Imperato, CEO da Alfa Romeo, já disse que a casa de Arese vai passar a ser 100% elétrica em 2027. Será nessa data, já depois do Tonale, o SUV compacto que tanta falta faz á casa italiana, que a marca do Biscione vai deixar de produzir veículos com motores de combustão interna. Para isso vai aproveitar as sinergias dentro da Stellantis e propor modelos 100% elétricos. O criador do V6 da Alfa Romeo, Giuseppe Busso, deve estar às voltas na tumba, tal como os fundadores da casa de Arese.

DS – A DS faz parte das marcas Premium da Stellantis juntamente com a Alfa Romeo e com a Lancia que, tal como a casa do Biscione, recebeu novo CEO (vindo da Fiat), recursos e 10 anos para se reabilitar. A estratégia para a DS é semelhante à da Alfa Romeo, ou seja, será 100% elétrica em 2027. Porém, já em 2024, os novos modelos serão 100% elétricos, mantendo os restantes em comercialização. A maioria desses modelos terminará o seu ciclo de vida em 2027.

Opel – Outra marca da Stellantis que já anunciou a sua passagem para marca 100% elétrica em 2028. Curiosamente, é a única marca da antiga PSA (onde está a Peugeot e a Citroen) a anunciar o fim dos motores de combustão interna. Para a casa de Russelsheim, esta transição começou com o Corsa-e, o novo Astra elétrico chega em 2023 e o calendário continuará até 2028.

Bentley – Curiosamente, a casa de Crewe, que pertence ao universo do grupo Volkswagen, foi das primeiras a anunciar que iria passar a ser um construtor 100% elétrico. O ano será 2030, altura em que irá acabar com a produção de motores de combustão interna. Antes disso, a Bentley vai lançar vários modelos elétricos e híbridos Plug In para reduzir as emissões. Alguns rumores dizem que o Continental poderá ser o primeiro a receber uma motorização 100% elétrica.

Fiat – O 500e foi o primeiro sinal daquilo que a casa de Turim quer fazer. Mas depois disto… não se percebe muito bem o que a Fiat vai fazer até 2030. Sabe-se que este será o ano em que os motores de combustão eterna se vão calar e que há prioridades como a renovação do 500X e o lançamento de uma gama completamente renovada que terá como base o protótipo Centiventi. Entre 2022 e 2023 surgirá um crossover do segmento B com motorização 100% elétrica. Para lá do regresso do Punto haverá um substituto para o Tipo.

Ford – Para a casa da oval azul, 2030 será o ano para desligar os motores de combustão interna. Mas… apenas na Europa! A Ford vai aproveitar o acordo com a Volkswagen para lançar novos produtos eletrificados e elétricos, tendo acesso à plataforma MEB. Depois do Mustang Mach-E, a Ford vai lançar um carro que será semelhante ao ID.3 em 2023 com motorização 100% elétrica.

Lotus – A marca de Hethel tem, apenas, um carro com motor de combustão, o Emira. Este é o modelo que ocupou o lugar do Elise, Exige e Evora e até 2030 vai desaparecer do catálogo da marca, dando lugar a modelos 100% elétricos. Esperam-se quatro modelos novos, dos quais, dois são SUV e o quarto será o produto feito em parceria com a Alpine e que será o substituto do A112.

Mercedes – Ola Kallenius, CEO da Mercedes, ousou ao dizer que queria ter uma versão elétrica de todos os modelos em 2030. Mas agora vai mais longe e a Mercedes, Maybach e Smart vão ser 100% elétricas a partir de 2030. E para provar esse compromisso, Kallenius já avisou os acionistas da Daimler que até 2026 os investimentos nos motores de combustão interna vão ser reduzidos em 80%, mantendo a partir dai os motores com hibridização.

Mini – A casa britânica tem um planeamento simples: a partir de 2030 não haverá mais um Mini com motor de combustão interna. O primeiro produto 100% elétrico foi o Mini Cooper SE, o próximo será o Countryman que já tem um híbrido Plug-In.

Peugeot – Antes da saída para a Alfa Romeo, Jean Philippe Imparato tinha dito que os motores de combustão interna estavam mortos depois de 2030. Olhando à evolução da gama Peugeot, com versões 100% elétricas e híbridas Plug In, acredita-se que a partir de 2030 não haverá um Peugeot produzido com sistema de escape.

Volvo – Os suecos gostam de ser os primeiros e Hakan Samuelson , CEO da Volvo, é adepto de bandeirinha, crachá e cartão de associado da mobilidade elétrica. Por isso, a Volvo acabou cedo com os motores a gasóleo, recusou os motores grandes, tem híbridos e com a ajuda dos recursos da Geely, está a aprontar-se para em 2030 só vender modelos 100% elétricos. Pelo caminho, a Volvo quer que 50% das vendas sejam de modelos eletrificados a partir de 2025. E depois do XC40, já chegou o C40 e o XC90 está pronto a ser 100% elétrico.

Audi – O anúncio é fresco: o último modelo com motor de combustão interna será lançado em 2026. Qual será o modelo? Um SUV, a terceira geração do Q3. Obviamente que até lá, a Audi vai lançar o Q6 e-tron e o renovado Q5 que deverá ser, já, 100% elétrico. Mas há mais novidades. O A3 receberá nova geração em 2025, já totalmente elétrico, o mesmo se passando com o A4. A Audi vai usar a mesma estratégia, por exemplo, da Porsche, ou seja, haverá gamas que vão caminhar paralelamente de mãos dadas como o A6, por exemplo, que terá versão 100% elétrica e com motor a combustão.

Hyundai – A casa coreana está em plena aceleração rumo à mobilidade 100% elétrica e anunciou no Salão de Munique o que já se sabia em surdina: na Europa vai abandonar os motores de combustão interna de forma faseada até 2035 e até 2040 nos maiores mercados mundiais. A plataforma E-GMP será a base para este esforço da Hyundai e com o plano atual, a Hyundai estará na linha da frente da eletrificação.

Grupo VW (Seat, Skoda e VW) – As três marcas generalistas têm um horizonte – entre 2033 e 2035 – para chutarem para canto os motores de combustão interna. Não há decisões tomadas, apenas o esforço que já se conhece na eletrificação, na SEAT com o Born, na Skoda com a marca iV e na VW com o ID. Há uma ligeira hesitação em abandonar os motores de combustão interna que se podem perpetuar para lá de 2040 em mercado como a América Latina. Convirá lembrar que oi Grupo VW tem um forte investimento nos combustíveis sintéticos que estão no bom caminho para aumentar a eficiência térmica dos motores e reduzir de forma sensível as emissões.

Honda – Não se preocupando muito com o mercado europeu, a Honda não tem pressa em acabar com os motores de combustão interna, mas olha para 2040 como uma data que pode significar o fim daqueles propulsores. A grande diferença está no facto da Honda querer oferecer modelos 100% elétricos a bateria e hidrogénio. O Honda e continua o seu progresso e dentro em breve surgirá um pequeno SUV. 

CONSTRUTORES QUE NÃO ANUNCIARAM O FIM DO MOTOR DE COMBUSTÃO

BMW – Surpreendentemente, este é o único construtor alemão que ainda não anunciou o fim dos motores de combustão interna. Nem uma data. E depois de ter sido dos primeiros a avançar com modelos como o i3 e o i8 com utilização de materiais caros como a fibra de carbono, fazendo uma fábrica especifica para isso que hoje está a agonizar, a BMW está a ter uma curva de aceleração rumo à mobilidade elétrica lenta. Para já está concentrada em modelos topo de gama como o i4, iX, iX3 e a breve prazo teremos o i5 e o i7. Dentro da casa bávara, não se esconde as dúvidas profundas sobre a capacidade de massificar a mobilidade 100% elétrica. Assim, não se comprometendo com datas, a BMW diz que vai lançar uma versão elétrica para cada modelo novo. Acabar com os motores a combustão? A BMW não se compromete.

Citroen – Não há nenhum prazo para acabar com os motores de combustão interna na casa francesa, mas acreditamos que a marca do “double chevron” siga o programa da Peugeot. A Citroen já tem uma oferta de modelos elétricos com o e-C4, o divertido Ami e o comercial e-Berlingo. Mas a gama irá alargar-se nos comerciais com a parceria da Peugeot e da Opel. E mais modelos receberão essas motorizações como o C3, por exemplo. A Citroen deve abdicar dos motores de combustão entre 2025 e 2030.

Dacia – A mobilidade 100% elétrica é uma dor de cabeça para a Dacia que, como todos sabem, baseia o seu modelo de negócio na oferta de produtos com grande “value for Money” e preços interessantes. Ora, a mobilidade elétrica é tudo menos isso e o Spring não é um bom exemplo daquilo que poderá ser um “low cost” elétrico. O Spring é o elétrico mais barato, mas tem lacunas no que toca à performance, conforto, insonorização e “crash test”. O caminho, para já, será a hibridização e a Dacia dificilmente venderá mais de 10% de veículos elétricos em 2030. Dificilmente a marca romena abandonara os motores de combustão interna nos próximos anos.

Ferrari – A casa de Maranello não tem nenhum plano para acabar com os seus belos V8 ou V12 e recolheu um apoio de peso no Governo italiano que está a pressionar a União Europeia a reconsiderar as exigências para as marcas de luxo e desportivas de baixo volume de produção. O problema é que a Ferrari já passou pelas 10 mil unidades/ano, pelo que dificilmente a União Europeia aceitará o caso da Itália. A hibridização será uma realidade, o seu primeiro SUV só chega em 2025 e acreditamos que a Ferrari não vai abandonar os seus motores de combustão interna a breve prazo.

Jeep – Christian Meunier, o CEO da Jeep, não se compromete com datas, sendo apenas certo que até ao final da década os motores a gasóleo vão desaparecer do catálogo. A marca norte americana quer manter o V8 durante o maior tempo possível, até porque o maior mercado da marca é os EUA. Quanto ao mercado europeu, nada se sabe, apenas que o Renegade e o Compass se vão manter com motorizações híbridas. As plataformas modulares da Stellantis vao ajudar a Jeep a eletrificar a sua gama.

Kia – Não há prazo para acabar com os motores de combustão interna. A Kia anunciou uma nova família de modelos elétricos até 2027, algo que faz parte do “S-Plan” o plano estratégico da Kia. Esse plano tem inscrito o objetivo de ter uma quota de vendas de 6 a 7% de veículos 100% elétricos a nível global. O EV6 é o “ponta de lança” da mobilidade elétrica, embora esta esteja a ser mais lenta que o expectável.

Lamborghini – Não há nenhuma data para acabar com os motores térmicos e todos desejam que os V12 da casa se perpetuem. Por outro lado, é algo que não se consegue vislumbrar ter um Lamborghini… 100% elétrico. A casa de Sant’Agata Bolognese tem a ajuda do Governo Italiano para tentar maior flexibilidade nas metas de emissões. Ainda assim, a Lamborghini tem um plano de 1,5 mil milhões de euros de investimento na eletrificação dos seus modelos.

Maserati – A casa do Tridente faz parte da Stellantis, mas não segue a cartilha do grupo, pois não há nenhum compromisso para acabar com os motores de combustão interna. E por isso mesmo, a marca italiana acaba de lançar o espetacular MC20 com um espetacular V6 conhecido como Neptuno. Mas a eletrificação está escrita nas estrelas com o GranTurismo e, talvez, o GranCabrio a receberam motorizações híbridas. O Grecale é um SUV feito com base no Alfa Romeo Stelvio e terá uma versão 100% elétrica.

Mazda – É um dos construtores que mais tem lutado contra a eletrificação, de tal ordem que vai reintroduzir os motores de 6 cilindros em linha! Apesar disso, lançou um elétrico, o MX-30 e está a trabalhar arduamente para reduzir as emissões com motores mais limpos combustíveis mais limpos. E a Mazda já veio dizer que os motores com hibridização representarão 95% da produção. Apenas 5% serão elétricos alimentados por baterias.

Nissan – Ter os pés na Ásia e na Europa é complicado e depois da China ter anunciado a proibição de motores de combustão interna em 2035, a Nissan teve de inverter os seus planos. Que passavam por manter os motores de combustão interna por muitos anos. Assim, a partir de 2025 a Nissan só venderá modelos elétricos a partir de 2025. No Velho Continente, a Nissan não tem planos até porque a Aliança Renault Nissan Mitsubishi tem tomado decisões individuais. Como nos EUA os motores de combustão vão durar mais algum tempo, a Nissan manter-se-á com o Leaf e o Ariya e as versões eletrificadas do Qashqai e Juke.

Porsche – Vendendo mais de 275 mil unidades, a Porsche não escapa às leis sobre emissões, mas a casa de Weissach quer manter os seus “boxer” durante muito tempo, mesmo que com hibridização e alguns modelos elétricos como o Taycan. Além disso, a Porsche está a trabalhar num combustível sintético que reduz substancialmente as emissões e que permitirá que alguns motores a combustão sobrevivam mais algum tempo. Para se juntar ao Taycan, está quase a chegar o novo Macan, 100% elétrico que estará no mercado de mãos dadas com o atual modelo. E o 911, ultrapassado em vendas pelo Taycan, também não vai escapar à hibridização.

Renault – O sistema E-Tech é revolucionário e oferece a oportunidade de hibridização a toda a gama Renault. Mas foi um forte investimento e anunciar, agora, o fim dos motores de combustão interna para 2030 ou 2035, seria adicionar insulto ao prejuízo. Por isso mesmo a Renault tem projetos elétricos como o Megane e o R5 ou o R4, mas a Renault já veio dizer que a forma como a União Europeia está a abordar a questão não é a mais correta. Por isso são adeptos de uma abordagem mais suave que aboliria os motores sem hibridização, mas manteria os híbridos Plug In até 2040 ou 2045.

Suzuki – A casa japonesa não tem dinheiro para fazer carros elétricos e a Europa é um mercado de nicho para a Suzuki. Por isso acredita-se que a marca abandone o mercado europeu pois o seu lucro está no mercado asiático e na Índia. Enquanto poder usar os Toyzuki (Toyota com símbolo da Suzuki) irá fazê-lo, depois dificilmente conseguirá ficar no Velho Continente.

Toyota/Lexus – A casa japonesa é vítima da sua teimosia. A Toyota há mais de 20 anos que apostou nos híbridos que abandonou os motores diesel e disseminou a sua proposta híbrida e híbrida Plug In em todo o Mundo. A Toyota não vai acabar com os motores de combustão interna antes de 2050 e Akio Toyoda já veio avisar que a mudança para a mobilidade 100% elétrica pode dar origem à perda de milhões de postos de trabalho. Não será fácil à Toyota inverter o sentido da marcha, mas recursos e tecnologia não lhe faltam e acredita-se que, brevemente, a casa japonesa estará no topo dos elétricos, seja alimentado por baterias, seja por hidrogénio. E aToyota continua a desenvolver os supercondensadores e outras soluções como os combustíveis sintéticos. Na Europa, se tudo se confirmar, a Toyota terá de puxar a ficha aos motores térmicos em 2035.

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