Volvo admite que emissões na produção de um elétrico são até 70% mais altas que um carro a gasolina e precisa de 9 anos para as mitigar!

Volvo admite que emissões na produção de um elétrico são até 70% mais altas que um carro a gasolina e precisa de 9 anos para as mitigar!

11/11/2021 0 Por Jose Manuel Costa
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Quando a marca que mais defende a mobilidade elétrica vem dizer isto e que para um carro elétrico ser mesmo um fator de ajuda na luta contras as alterações climáticas têm de passar 9 anos… está tudo dito!

Ontem escrevi um longo texto no Autoblogue sobre o falhanço das metas ambientais que a maioria dos construtores e dos políticos estão a estabelecer. A maioria delas são, apenas, boas intenções e têm como sublinhado a transição muito dolorosa para a mobilidade elétrica.

Tão dolorosa que começam a ver-se rachas na teoria que os carros elétricos vão salvar o mundo. Rachas essas que eram esperadas porque o custo social que se está a desenhar é brutal adicionando insulto à crise, ou seja, os semicondutores estão a ajoelhar a indústria automóvel, já prostrada pelos impactos da crise da pandemia de Covid-19, e as metas ambientais dos políticos vão atirar ao chão os menos capazes.

Sem surpresa, a Volvo – a defensora, com cartão de sócio e símbolo na lapela, da mobilidade 100% elétrica – decidiu ser honesta, aproveitando a COP26 para lançar alguma luz sobre a verdadeira situação dos veículos elétricos e forçar os políticos a atacar o problema pelo lado certo.

Ora, oficialmente, sabemos agora – o Autoblogue já lhe tinha dado essa informação, apesar de muitos a reputarem de sensacionalista – que produzir um veículo 100% elétrico pode ser 70% mais poluente que a produção de um carro com motor a gasolina. O exemplo da Volvo é o C40 versus o XC40.

Mas, pior que isso, olhando à média de quilómetros anuais feitos por um utilizador comum – na Europa situa-se nos 12 mil quilómetros – serão precisos 9 anos, sim, leu bem, 9 anos para mitigar aquilo que foi emitido na produção.

Ou seja, para apagar toda a poluição feita na fabricação do veículo 100% elétrico, será preciso fazer quase 110 mil quilómetros, olhando à média europeia. Para si que, olhando aos números, faz 9 mil quilómetros em média, por ano, precisará de… 12 anos para que o seu carro elétrico anule a poluição feita na produção.

Obviamente que se o seu carro for carregado com energias 100% renováveis, o cenário é menos carregado, mas mesmo assim, precisará de 5 anos ou 48 mil quilómetros para mitigar aquilo que foi emitido na produção.

Qual é o objetivo da Volvo e, já agora, dos outros construtores que vão á boleia dos suecos?

Levar os políticos a investir nas energias renováveis, forçar o fim da utilização do carvão – missão impossível nos próximos 50 anos – e, sobretudo, deixar claro que os híbridos Plug In podem ser uma boa solução para arrastar a transição mais uns anos. Como? 

Pensamos juntos. Se a média dos portugueses é de 9 mil quilómetros por ano, quer isto dizer que fazemos, por dia, 25 km. Os europeus fazem um pouco mais, 33 km diários. Qual é a autonomia em modo 100% elétrico média de um híbrido Plug In? Entre 40 e 50 km, certo?

Ora, se as deslocações pendulares casa-trabalho-casa são de 25 km/dia, um híbrido Plug In carregado diariamente, nunca vai necessitar do motor de combustão interna. Ele só vai ser preciso nas deslocações maiores nas férias e ocasiões festivas. 

Claro está que estas contas têm muitas variáveis e o seu caso pode não se encaixar neste modelo, mas esta é a realidade.

Os radicais defensores da eletricidade já estarão a espumar e a pensar que isto é uma cabala e que o facto de os carros elétricos não terem escape é desde logo uma mais valia.

Obviamente que sim! A pegada carbónica de um carro 100% elétrico na utilização é incomensuravelmente menor que a de um veículo com motor de combustão. O problema foi o montante de CO2 necessário para produzir as baterias, o aço, o alumínio, os escravos que foram precisos para minerar o lítio e os materiais de terras raras, enfim, tufo o que está a montante de um carro elétrico.

Mas eu dou-lhe números: um moderno carro a gasolina no seu ciclo de vida produz 59 toneladas de CO2; um veículo elétrico da mais recente geração, desde que alimentado por energias limpas, produz 27 toneladas de CO2. Onde é que está o problema?

É que, hoje, a carga dos veículos elétricos é feita com energia gerada em 60% a partir de combustíveis fósseis. Não acreditem na publicidade das empresas de energia que dizem ser os paladinos da sustentabilidade. Não são e para responderem às necessidades, ou produzem energia com carvão ou gás ou importam de países que a produzem com esses combustíveis fósseis!

E nesta situação que vivemos atualmente, o carro com motor a gasolina continua a emitir no seu ciclo de vida 59 toneladas de CO2, mas o veículo elétrico pode passar a produzir 77 toneladas de CO2.

E estas contas não são minhas, são da Volvo, que diz serem precisos 110 mil quilómetros para que o C40 possa ter impacto no ambiente. Em Portugal são nada menos que 12 anos para que o modelo 100% elétrico seja, realmente, eficaz.

Portanto, antes de impor o que quer que seja, os políticos deveriam investir na produção de energia limpa, na erradicação dos poluentes na fabricação dos veículos e na sustentabilidade da produção. 

Porque de pouco vale ter um carro 100% elétrico que na ficha técnica diz “zero emissões”, mas que no ciclo de vida levando em conta a produção, o carregamento e as emissões de pneus, travões, suspensões e sistemas de climatização, produz mais CO2 que um carro a gasolina.

Quer isto dizer que estou contra os carros elétricos? Não! Mas não aceito o fim dos motores de combustão interna, por decreto, quando ainda por cima esse decreto está baseado em imprecisões e mentiras. Já para não falar do assalto a que os utilizadores de carros 100% elétricos estão a sofrer com o beneplácito da associação que deveria defender os utilizadores, a Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos (UVE) cujo responsável maior, Henrique Sanchez, veio dizer, dentro do seu Tesla, que os postos rápidos e ultrarrápidos têm custos normais. Normais?! Pagar num carregamento, 74% de impostos e taxas, sendo que a maior fatia é para o detentor do posto de carga é normal?! 

Sabem qual é a ironia neste caso da Volvo? É que o XC40 Recharge, modelo 100% elétrico, é, porventura, o melhor carro da casa sueca…

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