Ensaio Hyundai Bayon 1.0 T-GDi: mais clássico que um SUV, mais sedutor que uma berlina

Ensaio Hyundai Bayon 1.0 T-GDi: mais clássico que um SUV, mais sedutor que uma berlina

18/11/2021 0 Por Jose Manuel Costa
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A Hyundai vai construindo a sua gama com modelo que se encaixam uns nos outros como peças de Lego. O Kauai é o SUV compacto da marca, mas com o fim do i20 Active e a não renovação do modelo, era necessária uma peça para encaixar entre o i20 e o Kauai. É esse o papel do Bayon que sendo mais clássico que um SUV acaba por ser mais sedutor que uma berlina.

Rating: 3 out of 5.
  • A Favor – Motor suave, equipamento, info entretenimento completo, habitabilidade
  • Contra – Alguns comandos, estilo interior, qualidade de alguns materiais

Podemos sempre discutir se há espaço ou não dentro da gama Hyundai para um carro como o Bayon. A casa coreana acha que sim e não hesitou em fazer o Bayon, um carro que é feito com base no i20 e não no Kauai, sendo o sucessor direto do i20 Active que desapareceu do catálogo do i20.

Sendo diferente do i20, propositadamente, o Bayon tem os “truques” do Active: cavas das rodas protegidas com plástico negro, saias protegidas da mesma forma e a frente com um falso protetor.

Pegando na fita métrica, o Bayon tem mais 14 cm que oi I20 e tem mais 4 cm de altura, sendo que a altura ao solo é maior 2,5 centímetros. E para perceberem que o Kauai não é o ponto de partida para o Bayon, aquele é mais comprido 2,5 cm e tem mais 7,5 centímetros de altura.

E a verdade é que o carro é mais um crossover que um SUV ou uma berlina e a Hyundai classifica, mesmo, o Bayon como “crossover SUV”. A imaginação dos departamentos de marketing não tem limites. Eu junto mais um pouco de confusão: olhando para o Bayon vejo um monovolume compacto. Enfim.

E COMO É O ESTILO? AGRADÁVEL OU NEM POR ISSO?

O Bayon é mais um produto da linguagem de estilo “Sensuous Sportiness” da Hyundai. Na frente separa os blocos óticos: umas “pestanas” colocadas por cima do para choques e por baixo o resto da iluminação em nichos que lembram setas a enquadrar uma enorme grelha.

Atrás, os farolins em forma de boomerang destacam-se ligados por uma barra negra e por uma fina faixa luminosa. Com as laterais musculadas com algumas linhas tensas, o Bayon pode não ser a taça de chá de todos, mas pelo menos é personalizado e diferente do resto da multidão.

E O INTERIOR, É REQUINTADO OU É MAIS DO MESMO?

Se já entrou num i20, terá um “deja vú”, pois tudo é muito semelhante, pois tudo é igual aquele modelo. Confesso que não gosto muito do volante e entendo que a Hyundai já fez melhores interiores. 

O painel de instrumentos é digital e tem 10,2 polegadas, oferecendo muita informação entre os dois instrumentos maiores. É fácil de ler e adapta-se aos três modos de condução, Eco, Normal e Sport. Toda a informação é controlada através de comandos no volante.

O requinte esboroa-se nos plásticos mais duros, iguais aos do i20. Aceita-se alguns deles porque estamos a falar de um segmento inferior, outros nem por isso.

Há muitos espaços para arrumação, o aumento de tamanho oferece uma excelente habitabilidade e os bancos são confortáveis. Este aumento de habitabilidade não é em largura (até porque o Bayon e o i20 tem os mesmos 1775 mm de largura), mas sim em altura ao tejadilho já que no espaço para arrumar as pernas as coisas são muito semelhantes, até porque a distância entre eixos é igual. 

Pena que o apoio lateral não seja o melhor e que o encosto de cabeça seja um nadinha duro. A posição de condução não é igual à do i20 apenas pelo facto do carro ser mais alto face ao solo e por isso ficamos sentados um pouco mais alto.

Quem ganhou foi a bagageira com 411 litros extensíveis a 1205 litros, bem melhor que o i20. Se assim não fosse, mal estaria o Bayon!

Alguns detalhes são interessantes, entre eles o facto de a chapeleira poder ser arrumada verticalmente atrás das costas do banco, outros nem por isso. Falo da tampa do bocal de abastecimento que é de abertura “à asiática”, ou seja, através de um comando colocado ao lado do banco do condutor. Curiosamente, o i20 já tem um sistema à europeia, ou seja, está ligado ao fecho central de portas. Enfim.

E COMO É TECNOLOGICAMENTE O BAYON?

O Bayon conta com o sistema de info entretenimento da Hyundai, o Blue Link. O que quer dizer que tem rádio DAB+, Bluetooth, compatibilidade Android Auto, Apple CarPlay sem fios e um ecrã de 8 polegadas. As versões mais bem equipadas têm ecrã de 10,25 polegadas, colocado no meio do tabliê.

No que toca ao equipamento de segurança, o Bayon revcebe o mesmo pacote do i20, ou seja, ajuda ao arranque em declive, a manutenção na faixa de rodagem (que pode ser facilmente desligado), travagem autónoma de emergência, cruise control com limitador de velocidade e reconhecimento inteligente dos sinais de trânsito.

Depois há muitas opções consoante as versões como sensores de chuva e luz, câmara de marcha atrás, sensores de estacionamento, enfim, muita coisa para equipar o Bayon. 

E COMO É O BAYON EM UTILIZAÇÃO?

O motor 1.0 T-GDi é agradável de utilizar, mas os 100 CV não são capazes de fazer melhor que os 10,7 segundos, com a caixa manual de 6 velocidade. Caixa que é fácil de utilizar e sem qualquer crítica. 

A Hyundai tem vindo a fazer um esforço enorme para oferecer aos seus carros um comportamento são e um conforto agradável. E o Bayon beneficia disso mesmo, sendo um carro confortável e fácil de conduzir.

Na maior parte das situações, o Hyundai Bayon é confortável e permite-nos ritmos interessantes em estradas nacionais e até nas municipais. Faz falta uma direção mais comunicativa, mas não é por isso que podemos criticar o Bayon.

Quando a esposa nos disse para estarmos em casa às 18 horas e são 17.55 e ainda estamos na conversa com os amigos, o Bayon é um bom companheiro. Consegue manter-se composto e com reações previsíveis com o motor a dar o seu contributo. 

Gostei muito do comportamento do Hyundai Bayon, sendo, claramente, uma mais valia.

Quanto aos consumos, o Bayon não é um pisco e para andar um pouco mais depressa há que mexer na caixa e isso acaba por aumentar os consumos. A Hyundai homologou 5,3 l/100 km, mas não consegui menos de 7,1 l/100 km. Ainda assim, um valor interessante para um carro a gasolina com um motor tão pequeno. Com algum cuidado, podemos descer até aos 6,8 l/100 km, mas a condução torna-se monótona.

O QUE É QUE EU PENSO DO BAYON?

O pensamento da maioria dirá que o Bayon é a mesma coisa que o Kauai, mas isso não é verdade. Para lá da diferenciação do estilo – claramente opostos – a forma e o conteúdo aproximam mais o Bayon do i20 onde se baseia. É uma oferta mais familiar com um toque mais radical que serve às mil maravilhas aos que estão fartos dos SUV. Ainda por cima o Bayon é mais barato que o Kauai e, portanto, o seu grande rival é o i20. Lá está, como disse acima, a gama da Hyundai é um jogo de Lego com peças que encaixam umas nas outras e o Bayon é para si que não quer um SUV, mas não quer ser anónimo. 

Ficha técnica Motor: 3 cilindros com injeção direta e turbocompressor; Cilindrada (cc): 998; Potência máxima (CV/rpm): 100/4500 – 6000; Binário máximo (Nm/rpm): 172/1500 – 4000; Transmissão:dianteira, caixa manual de 6 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 10,7; Velocidade máxima (km/h): 183; Consumos (l/100 km): 5,3; Emissões CO2 (gr/km): 122; Dimensões e pesos  Comp./Lar./Alt. (mm): 4180/1775/1490; Distância entre eixos (mm): 2580; Largura de vias (fr/tr mm): 1545/1551; Peso (kg): 1095; Capacidade da bagageira (l): 411/1205; Deposito de combustível (l): 45; Pneus (fr/tr): 205/55 R17; Preço (Euros): 20.905

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