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Ensaio Fiat Panda Sport Hybrid: ficou melhor ou é apenas porque tem de ser?

O Panda continua a ser um carro delicioso, giro e sedutor que nesta versão Sport deixa-nos ainda mais seduzidos. Este Fiat é daqueles carros cujos defeitos são largamente mitigados pelas virtudes e agora surge com a mesma mecânica do 500 Hybrid. Uma mais valia?

Rating: 3 out of 5.
  • A Favor – Estilo, Economia, Preço
  • Contra – Pouca potência, sistema híbrido muito suave

Tenho de confessar que sou um enorme adepto do Panda – já o sou desde que surgiu o primeiro e já tive um par deles, ou melhor, o meu pai teve e deixou-me usá-los – e pelo visto não estou sozinho pois o modelo urbano da Fiat continua a vender que nem pãezinhos quentes dominando o segmento.

Tal como o 500, é um caso de sucesso que a Fiat continua a cavalgar sem descanso nem atualização, claramente desnecessária olhando às vendas. É que o Panda vende mais que um… Golf! Pelo menos em outubro!

MAS AFINAL, COMO É O PANDA HYBRID? 

É um citadino com um sistema híbrido ligeiro e como a tendência encaminha-nos para a eletrificação, a casa de Turim serve o Panda em Portugal com o bloco 1.0 litros híbrido com 70 CV.

Posso dizer que o Panda Hybrid será, talvez, o mais suave dos híbridos que conheço, evidentemente sem capacidade de carregamento externo e com uma autonomia em modo 100% elétrico de… zero quilómetros. Até aqui, nada de extraordinário, pois se comprar outro carro com sistema “mild hybrid” as cifras são as mesmas.

O sistema híbrido suave recupera a energia vinda da desaceleração e também a energia da travagem que se perderia normalmente. A primeira forma de recuperação de energia obriga a ter um motor de arranque gerador que está ligado à cambota do motor de 3 cilindros com 1 litro de cilindrada através de uma correia. Assim, o sistema híbrido ajuda o motor no arranque. 

O que vem da travagem é guardado na bateria e quando é preciso acelerar com mais vigor, a bateria ajuda, mas só um pouquinho. A bateria de 12 volts está colocada debaixo do banco do passageiro.

Pode parecer estranho que seja um sistema tão simples e ligeiro, mas a verdade é que a vontade da Fiat foi oferecer, exatamente, um sistema simples, barato e funcional sem adicionar peso ou complexidade. E ter um híbrido dentro da sua gama citadina.

Agora, a questão que se coloca é, poderia a Fiat ter ido mais longe?

Evidentemente que podia. A Fiat adiciona, com o sistema híbrido ligeiro, exatamente 1 CV à potência do anterior bloco 1.2 litros. Ou seja, há 70 CV disponíveis graças à magra ajuda da eletricidade.

Não há um aumento de aceleração devido à potência elétrica e a verdade é que se não fosse o logótipo “Hybrid” e o indicador luminoso da carga da bateria sempre que desaceleramos, diria que este era um Panda absolutamente normal. 

Mas há uma coisa que o Panda faz… mudar o nosso estilo de condução! O quê? Sim, para que a eficácia do sistema seja palpável.

Para que a coisa seja minimamente eficaz e com consumos reduzidos, a Fiat explica que temos de tirar o pé do acelerador e desengatar o carro, deixando-o rolar… em ponto morto sempre que possível. 

No Panda, assim que colocamos a caixa em ponto morto, o motor desliga-se e o silêncio toma conta do habitáculo… e se a inclinação foi favorável serão longos segundos ou minutos sem o motor a trabalhar.

ASSIM SENDO, É MAIS ECONÓMICO QUE UM PANDA NORMAL?

A Fiat homologou emissões de CO2 de 121 gr/km, em ciclo WLTP e consumos de 4,9 l/100 km. 

Bom, respeitando as regras de uma condução económica e aproveitando a dica da Fiat, consegui que o computador de bordo me devolvesse um valor de 6,4 l/100 km. Longe da cifra homologada, mas ainda assim, simpático. Numa condução mais descontraída, o valor de consumo aproximou-se, muito, dos 7 litros por cada centena de quilómetros. Continua a ser uma excelente prestação do Panda.

A caixa manual de seis velocidades – um luxo! – tem uma sexta longa pensada para otimizar os consumos fora do casco urbano, sendo responsável pelo aumento de consumo pois em cidade ou nos arredores serve para pouco. Mas como se percebe, o sistema híbrido não é fator absolutamente decisivo na redução dos consumos.

O QUE É QUE EU PENSO DESTE PANDA HYBRID?

Adoro o Panda neste nível Sport e com esta pintura fosca. Fica-lhe a matar! Como o sistema híbrido fica como a única alternativa em termos mecânicos, serve perfeitamente os objetivos do Panda. Faltam algumas coisas, o carro curva sem grande empenho, mas tudo isso faz parte do chame do modelo. Sim, é verdade que há falta de espaço no banco traseiro, enfim, a posição de condução não é perfeita. Não fossem os logótipos e diria que este é um Panda normalíssimo. Por 15.607 euros… eu gostava de ter um Panda…

FICHA TÉCNICA 3 cilindros em linha, injeção multiponto; Cilindrada (cm3): 999; Diâmetro x Curso (mm):70 x 86,5; Taxa de Compressão: 12,0:1; Potência máxima (CV/rpm): 70/6000; Binário máximo (Nm/rpm): 102/3000; Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 vel.; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr):discos/tambores; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 12,9: Velocidade máxima (km/h): 163; Consumos misto (l/100 km): 4,8; Emissões CO2 (gr/km): 108; Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 3653/1643/1550; Distância entre eixos (mm): 2300; Largura de vias (fr/tr mm): 1409/1407; Peso (kg): 955; Capacidade da bagageira (l): 225-870; Deposito de combustível (l): 38; Pneus (fr/tr): 175/65 R15; Preço (Euros): 15.607