Ensaio Opel Mokka 1.2 Turbo GS: mais que uma carinha laroca!

Ensaio Opel Mokka 1.2 Turbo GS: mais que uma carinha laroca!

04/02/2022 0 Por Jose Manuel Costa
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A tentação de fazer uma brincadeira com o nome do SUV compacto da Opel é grande, mas resisti e preferi olhar para o estilo e para o facto deste alemão ter raízes francesas. Mas asseguro-vos que este Mokka é mais que uma carinha laroca (pronto, não resisti!).

Rating: 3.5 out of 5.
  • A Favor – Estilo exterior e interior, Ergonomia, Comportamento
  • Contra – Suspensão firme, acessibilidade traseira, Insonorização

O nome é o mesmo, mas este SUV compacto, que pode ser denominado “o SUV do Corsa”, não tem nada a ver com as duas anteriores gerações, produtos 100% General Motors e vendidos nos EUA e na China.  Talvez por isso tenha perdido o X pelo caminho e recebido a mesma plataforma que utiliza o Peugeot 2008 e o DS3 Crossback, ou seja, a CMP do grupo PSA. É, também, a mesma base do Corsa.

Mark Adams, o guru do estilo da Opel, “inventou” o Opel Vizor e deu a volta ao Mokka de uma forma espetacular. O carro não tem nada a ver com os seus irmãos franceses. Afasta-se, absolutamente, das anteriores gerações e… é giro! Sim, o Mokka é muito giro! E nesta versão GS Line é absolutamente delicioso com o tejadilho e o capô pintados de preto (o capô preto custa 300 euros e as jantes de 18 polegadas, 350 euros). Que ligam de forma perfeita com o Opel Vizor, o escudo que serve de grelha sem o ser e que é comum, agora, a todos os carros da casa alemã.

O carro alemão feito pela PSA é mais curto que o anterior significativos 12,4 cm, sendo mais largo (1,4 cm) e um nadinha mais curto entre eixos. 

Estas dimensões compactas com as rodas empurradas para os extremos da carroçaria conferem um ar musculado, absolutamente delicioso, parecendo que o Mokka está sempre pronto a saltar.

ESTÁ BEM, É GIRO, OK! E POR DENTRO?

Para espanto meu, quando peguei na fita métrica, o habitáculo é muito semelhante ao anterior. O que é espetacular olhando ao facto de o carro ser bem mais curto!

Contas feitas, há 930 mm de altura entre o banco e o tejadilho à frente e 1030 mm atrás; a largura interior á frente é de 1420 mm e atrás de 1380 mm; espaço atrás para as pernas oscila entre 125 e 360 mm. Para uma distância entre eixos de 2557 mm e um tamanho de 4151 mm, é muito interessante. Aliás, há cifras que até cresceram. Ligeiramente, mas cresceram.

Obviamente que não havendo almoços grátis, não há espaço grátis. Por isso a bagageira com os bancos no sítio e debaixo da bagageira tem 267 litros. É verdade que são apenas 6 litros a menos que no Mokka X, mas quando rebatemos o banco traseiro o Mokka perde, até, para o Corsa: 1.105 litros contra 1.118 litros do utilitário.

Mas há outro problema com a bagageira do Mokka. Com o fundo duplo na posição mais baixa há uma profundidade de 64 cm, mas debaixo da chapeleira há, apenas 30 cm úteis. Como o banco não se mexe em calhas e apenas rebate, esta configuração não é lá grande coisa. 

Ainda sobre este tema tenho de referir uma coisa que não faz sentido absolutamente nenhum. Então, para abrir o portão traseiro temos de apertar um botão no para choques e depois enfiar a mão numa ranhura para levantar o portão? É verdade que podemos abrir a tampa da mala com o comando e que isto não é o fim do mundo, mas não havendo abertura elétrica não se poderia ter feito uma coisa mais prática? 

Já agora tenho de lhe dizer que se achava piada ao FlexFix, o porta-bicicletas integrado no para choques… esqueça. Já não há. Porquê? Por que era caro e complicava a estrutura do para choques. E sabemos como Carlos Tavares detesta coisas supérfluas e, sobretudo, caras!

O ambiente a bordo do Mokka é simpático e fácil de se viver. Tudo está no local certo, tudo é digital, mas sem gráficos supérfluos ou informações que para nada servem. 

O porta luvas é gigantesco e compensa o facto de o compartimento por baixo do apoio de braços entre os bancos dianteiros ser mais pequeno.

Esta variante GS Line tem detalhes vermelhos no tabliê e nos bancos, sendo a consola central e a moldura dos dois ecrãs pintada de preto Piano. É bonito, mas o vermelho cansa um pouco e o preto Piano é um verdadeiro íman para pó e dedadas.

Voltamos aos problemas. A acessibilidade ao banco traseiro é difícil. Tendo menos uns centímetros que o 2008 no que diz respeito à distância entre eixos, a abertura de acesso das portas traseiras é muito mais pequena. 

Depois, o ângulo de abertura das portas é também pequeno. Finalmente, na altura das embaladeiras atrapalha mais um pouco.

E COMO É EM TERMOS DE TECNOLOGIA O MOKKA?

A dotação de elementos de segurança e ajuda á condução é generosa. O Active Safety Pack, oferecido de série, tem travagem autónoma de emergência com deteção de peões, regulador de velocidade (Cruise Control) e sistema de manutenção na faixa de rodagem. Contempla, ainda, leitura de sinais de transito e faróis LED (embora os Intelli Lux sejam opcionais).

Para o sistema multimédia há várias opções consoante o nível de equipamento, mas todos têm seis botões virtuais que anulam alguns botões físicos e limitam o tamanho do ecrã. A climatização é controlada através do ecrã sensível ao toque. Mas a Opel duplicou esses comandos através de uma consola situada abaixo dos botões do sistema multimédia. Bem visto!

Há ligação sem fios Android Auto e Apple CarPlay, carregamento por indução (opcional), comando por voz (embora limitado) e ainda o Opel Connect, um sistema de navegação com informações em tempo real. Os comandos não são PSA, mas sim Opel. Facilmente percetível na alavanca da esquerda de comando do indicador de mudança de direção. Lá está o comando rotativo que faz-nos desfilar por entre as páginas do computador de bordo e fazer “reset”.

NA ESTRADA, ESTE MOKKA É MELHOR QUE O ANTERIOR?

Sim! Alimentado pelo bloco 1.2 litros com três cilindros, na Opel conhecido como 1.2 Turbo e não PureTech, está equipado com caixa manual de seis velocidade ou uma unidade automática de 8 velocidades. Foi este o carro que nos tocou em sorte.

Com 130 CV, o motor rima com a caixa automática que tem modo manual controlado pelas patilhas atrás do volante. Sacrificados no altar do estilo, na consola central estão três botões: um para colocar em modo P (Park), outro para os R N D (marcha atrás, ponto morto e avançar) e o terceiro para o modo M (Manual).

O bloco francês é conhecido pela sua elasticidade, mas também pelo seu ruído característico que tem a tendência de invadir o habitáculo. Há vários modos de condução – Eco, Normal e Sport, este exclusivo do GS Line – mas sem ter influência na suspensão, apenas mudam a gestão do acelerador e da caixa automática. Diferenças? Sinceramente? Quase nenhumas e na direção… zero!

O Mokka tem um comportamento previsível, com normal tendência para sair de frente que se corrige facilmente com o levantar o pé do acelerador. Dizer que o nível de aderência do eixo dianteiro é elevado e quando as coisas começam a escapar ao nosso controlo, a eletrónica intervém, de forma suave e nada intrusiva, para recolocar tudo em “su sitio”.

A direção é direta, mas com pouca sensibilidade. Levado para uma estrada sinuosa, o Mokka não se nega e com controlo eficaz dos movimentos da carroçaria, graças a uma suspensão firme. À alemã! O problema é que o comportamento não ganha assim tanto comparando, digamos, a um Peugeot 2008, e o Mokka acaba a “ler” as imperfeições da estrada e a fazer-nos sentir as pancadas num buraco ou numa lomba.

Os bancos ajudam a mitigar essa situação, mas não o fazem totalmente, menos ainda com as jantes de 18 polegadas do Mokka GS Line.

O QUE É QUE EU PENSO DESTE OPEL MOKKA?

Como digo no início deste ensaio, o Opel Mokka é muito mais que uma carinha laroca! Além de giro, o Mokka é um carro desejável e com este motor de 130 CV e com caixa automática, é excelente. Mesmo com defeitos que são perfeitamente ultrapassáveis. Até que chegue o Astra, e me possa desmentir, a Opel está de novo no caminho certo e tendo os meios para se reinventar, produtos como o Mokka justificam o investimento. É verdade que os Opel deixaram de ser alemães e estão dependentes da tecnologia francesa. Mas até nisso o Mokka é brilhante: é muito mais que uma simples cópia do Peugeot 2008. É um Opel! É pena que os velhos hábitos alemães – suspensões duras – não tivessem ficado nas catacumbas de Russelsheim…

FICHA TÉCNICA – Motor: 3 cilindros em linha com injeção direta e turbo; Cilindrada (cc): 1199; Potência (CV/rpm): 130/5500; Binário (Nm/rpm): 230/1750; Transmissão: dianteira, caixa automática de 8 velocidades; Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente; Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção; Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos; Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 9,2; Velocidade máxima (km/h): 200; Consumos (l/100 km): 5,9 – 6,0; Emissões CO2 (gr/km): 133 – 136; Dimensões e pesos Comp./Lar./Alt. (mm): 4151/1791/1431; Distância entre eixos (mm): 2557; Largura de vias (fr/tr mm): nd; Peso (kg): 1295; Capacidade da bagageira (l): 350/1105; Deposito de combustível (l): 44; Pneus (fr/tr): 215/55 R18; Preço (Euros): 27.90

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