F1 GP Bahrain: Ferrari está de volta com dobradinha de Leclerc e Sainz

F1 GP Bahrain: Ferrari está de volta com dobradinha de Leclerc e Sainz

21/03/2022 0 Por Autoblogue
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Suspeitava-se que o F1 GP Bahrain de 2022 destacasse a Ferrari , mas a Red Bull quis enviar mensagem com o melhor tempo nos testes do Bahrain. No final das 57 voltas, a Ferrari fez os sinos dobrarem em Maranello que deram valente dor de cabeça à Red Bull.

Foram dois anos de viagem pelo inferno (2020) e pelo purgatório (2021) que terminaram em 2022 com um novo regulamento, um carro bonito e uma dobradinha a abrir as hostilidades. 

A Ferrari, liderada por Mattia Binotto, meteu o pé na poça em 2018 com a rábula dos motores ilegais e a palmada na mão da FIA tinha um castigo escondido. Claramente, a casa de Maranello teve de abdicar de toda a vantagem técnica em 2020 – onde caiu para um humilhante sexto lugar entre os construtores -tendo recuperado alguma competitividade o ano passado. 

Mas já com os olhos postos em 2022, onde o “castigo” acabou e a Ferrari pode colocar em cima da mesa toda a tecnologia e capacidade que Binotto foi incrementando, sossegadamente, nestes dois últimos anos.

O resultado está á vista. Discretamente, à imagem de Mattia Binotto, a Ferrari fez muito bem o trabalho de casa, desenvolveu um chassis equilibrado à saída da fábrica e uma unidade de potência… fantástica. A dobradinha de Charles Leclerc e Carlos Sainz remunerou o esforço de uma formação que em 2020 chegou a ser a chacota da Fórmula 1. Estão de volta e com vontade de vingança!

F1 GP Bahrain: se o Mundial for assim…

Haverá sempre os que vão dizer que “bah… foi mais ou menos” sempre debaixo da influência da sua cor “clubística”. Outros ainda hoje estão sob o efeito das borbulhas de champanhe e alguns a curar a ressaca da derrota.

Ainda assim, tenho de dizer que foi uma corrida e peras! A Fórmula 1, parece, estar no bom caminho e na frente acabou a bipolaridade. Mais fora da caixa, a Mercedes acabou por ter um melhor resultado do que poderia esperar com um carro por todos criticado. Mas será um erro absurdo deixar de lado a formação de Toto Wolff. Estão a perceber o carro, evoluíram ao longo do fim de semana e, mesmo dando-se ao luxo de experimentar todas as versões dos pneus Pirelli, conseguiram um pódio!

Ao mesmo tempo, tivemos lutas em pista e Charles Leclerc e Max Verstappen ofereceram-nos três voltas de espetáculo de cortar a respiração. O neerlandês encontrou adversário à altura e provou do seu “veneno”, ou seja, recebendo agressividade e sendo levado a cometer um erro.

A Ferrari dominou de fio a pavio – Charles Leclerc ficou a duas voltas de um “Grand Chelem” – e o único momento mais complicado foi a primeira tentativa de “undercut” por parte da Red Bull. Mas a superioridade do Ferrari e a superlativa pilotagem de Leclerc desequilibrou os pratos da balança.

Uma “corridaça” da Ferrari!

Se houvesse um “homem do jogo”, esse seria Charles Leclerc. No ano em que Carlos Sainz será (?) uma séria ameaça, o monegasco liderou a equipa italiana. Trabalhou bem nas sessões livres e na qualificação deu recital.

Arrancou bem aproveitando os pneus macios novos – Verstatppen estava de macios usados porque a Red Bull subestimou a diferença entre novos e usados na posta do Bahrain – e quando cruzou com o neerlandês (Leclerc com macios usados e Verstappen com macios novos) trouxe ao de cima a sua maturidade.

Ficando com o Red Bull encostado à caixa de velocidade do Ferrari, Leclerc “brincou” com Verstappen. Deixou-o passar, sempre, no final da reta da meta sabendo que tinha mais tração e uma zona de DRS logo a seguir. Mas… travando sempre um bocadinho mais tarde e forçando Verstappen a fazer o mesmo. Até que o campeão do mundo errou e Leclerc acabou com a “festa” e foi-se embora na zona rápida das curvas 5 a 8, colocando-se ao abrigo do DRS.

A superioridade do Ferrari e o Red Bull ferido – os braços de suspensão e direção do RB18 são tão finos que o macaco que levanta o carro entortou um braço de direção – conjugaram-se para dar vantagem a Leclerc. 

F1 GP Bahrain com uma Red Bull azarada

A quebra do motor Red Bull Powertrain no Alpha Tauri de Pierre Gasly trouxe um “Safety Car” que colocou um grãozinho de areia na engrenagem de vitória da Ferrari. Mas a casa italiana esteve bem até no campo da estratégia: não foi no engodo da Red Bull (que fez parar uma terceira vez Verstappen) confiante na capacidade do seu piloto e da benignidade do chassis com os pneus Pirelli. 

Mattia Binotto pensou que a vantagem era suficiente e que o monegasco tinha carro e pneus para ganhar. A Red Bull pensava que Verstappen ia apanhar Leclerc a duas voltas do fim.

Nada disso se confirmou e Verstappen acabou fora de prova com o que, alegadamente, foi um problema com a bomba de gasolina do motor térmico. Muitos dizem que foi, mesmo, falta de combustível e por isso mandaram o campeão do mundo parar antes que ficasse na pista como aconteceu com Sergio Perez.

As duas teorias podem fazer sentido. A bomba de gasolina é um elemento igual em todos os carros e fornecido pela Magnetti Marelli (sistema que pesca o combustível no depósito até depositar o combustível à bomba de alta pressão que alimenta o motor). Pode ter entrado em pane e há relatórios de várias equipas que conheceram problemas com essa peça durante os testes. 

Mas como Christian Horner não disse nada e a equipa não foi lesta a apontar o dedo aos italianos da Magnetti Marelli, cresce a ideia que terá sido um erro da equipa nas contas do consumo.

A verdade é que a Red Bull chegou ao Bahrain como a grande favorita e saiu de Sahkir de mãos vazias de pontos e com Adrian Newey a ter trabalho para apanhar a Ferrari.

Mercedes com muito trabalho para fazer

Fiabilidade e reação às mudanças. Estas, juntamente com o resultado de conjunto obtido, são as melhores coisas que a Mercedes reuniu no Bahrain. “Ferrari e Red Bull estão muito fortes, andam muito em reta e o nosso carro é difícil de pilotar.” Lewis Hamilton resumiu o fim de semana com esta frase.

A verdade é que a Mercedes prolongou os testes de pré-temporada para a primeira prova do ano. Prova disso foi a utilização dos pneus duros, médios e macios ao longo da corrida por Hamilton e Russell. Conclusões? O W13 foi lento com os duros e com os macios, melhorou muito com os macios. Conclusão? “Precisamos de melhorar em, praticamente, todas as áreas!” Palavras de Toto Wolff, patrão da Mercedes.

E não há garantias que seja tudo resolvido. “Temos um problema de base… vai demorar tempo a ser resolvido, infelizmente” disse no final Lewis Hamilton.

Analisando os tempos por volta é simples perceber como o Mercedes é lento. Mesmo levando em linha de conta o facto de ambos os W13 rodarem no meio do pelotão, perderam 0,8 segundos por volta e para tentar controlar o “porpoising”, o Mercedes rodou com muito apoio nas asas (o carro teve de ser levantando para evitar o “golfinhar”) e perdia muito em velocidade de ponta.

Por outro lado, o motor deixou de ser um ponto forte da Mercedes e ao contrário do que sucedeu com a Ferrari, foi incapaz de ultrapassar o excesso de apoio imposto ao carro. Porém, não podemos descartar já a Mercedes, pois vários especialistas dizem que na eventualidade da Mercedes resolver os problemas, o W13 poderá ser um verdadeiro míssil.

Afinal, quem está na frente?

Essa é uma pergunta simples. Ou não! Para já o melhor pacote pertence à Ferrari. O carro é equilibrado sendo rápido numa volta de qualificação e durante a corrida. Não estraga os pneus e é fácil de pilotar porque é previsível.

O desenho do F1-75 é muito conseguido, pois tem forte aderência, excelente tração e consegue ser um carro giro. 

O motor que está nas costas do piloto é uma peça muito importante e permite que o Ferrari ande com mais apoio que os outros sem perder velocidade. Enfim, exibe um belíssimo equilíbrio o apoio aerodinâmico e o arrasto que esse apoio gera.

Outra constatação é a quase ausência de “golfinhar” nas retas. A Ferrari encontrou a forma para manter a força descendente sem que o carro ande aos saltos pelas retas. As alterações ao fundo plano para criar mais “vortex” na lateral para fechar o fundo do carro e maximizar o efeito de solo, elevando ligeiramente a traseira para acabar com o “porpoising”, não danificaram o equilíbrio.

Portanto, a Ferrari tem, neste momento, a vantagem face aos adversários e não se prevê que percam essa liderança.

F1 GP Bahrain: Haas e Alfa Romeo surpreendem

A utilização das unidades de potência Ferrari ajuda a explicar a excelente prestação das equipas que em 2021 se arrastaram pelo fundo do pelotão. A outra parte da explicação está no tempo dedicado aos carros de 2022, com na Haas e a Alfa Romeo a prescindirem de 2021 para fazer “all in” este amo.

A Haas perdeu os 10 milhões de dólares do patrocinador russo e o piloto filho do patrocinador. Gene Haas teve de ir ao bolso colocar o dinheiro necessário para a equipa funcionar – isso nunca esteve em causa! – e Guenther Steiner tomou uma decisão sábia: foi buscar Kevin Magnussen e apoiou-se na Dallara para fazer o chassis. 

Ora, Magnussen esteve impressionante e levou o Haas Ferrari até ao 5º lugar final, com Mick Schumacher a ter muito mais dificuldade face a Magnussen. Ficou no 11º lugar, mas contabilizou um pião provocado por um toque que o atrasou bastante.

Quanto à Alfa Romeo, deu um passo de gigante. Tem um excelente carro que é o único a conseguir estar no peso mínimo legal. Todos os outros são mais “gordos” entre 5 e 20 quilos e isso é uma enorme vantagem quando é preciso mimar os pneus. 

Depois, resolveu a fragilidade do carro, levando os dois chassis até final e nos pontos. E não foi melhor porque Valtteri Bottas fez um arranque patético e Guanyou Zhou é um estreante. Cheio de qualidade o primeiro chinês na F1, mas ainda fresco para grandes compromissos. 

Desilusões deste GP Bahrain

Chama-se McLaren a maior desilusão do GP Bahrain. Daniel Ricciardo e Lando Norris andaram a lutar com a Aston Martin e a Williams. O MCL36 vai ser uma enorme dor de cabeça para James Key. Infelizmente para ele a premonição antes do GP do Bahrain foi dura. Dizia ele que “esperamos estar certos com o projeto e com a suspensão Pull Rod, porque senão…” Pois… foi senão!

Muitos problemas com o arrefecimento de alguns componentes, dificuldade em manter o motor Mercedes no modo de motor mais radical e ter de fazer muito “lift & coast”, foi empurrado para trás os dois McLaren. E sair com pneus médios para poupar uma paragem, não ajudou. Ponto positivo: os travões que tanto apoquentaram nos testes… não falharam. 

Na equipa de Andrew Green, parece que o britânico perdeu o “touch” e depois de carros brilhantes na Force India e na Racing Point, na Aston Martin as coisas descambaram. Segundo os observadores, o carro tem muito arrasto, não conseguem usar os modos de potência mais poderosos e os pneus derretem. Nico Hulkenberg regressou para substituir um infetado Sebastian Vettel, mas faltou tudo. Preparação, velocidade, vontade e carro, claro.

Finalmente, a Williams. Pelo visto FX (François Xavier Demaison) fez milagres nos ralis. A Fórmula 1 é um bicho diferente. Apostando num design radical e com algumas semelhanças com a Mercedes, o FW44 mostrou-se veloz em reta, muito lento em curva. Não é preciso ser engenheiro para perceber que falta muito apoio aerodinâmico ao carro da equipa de Jost Capito. Alex Albon ainda deu um ar da sua graça, mas andou sempre em lutas pelos últimos lugares, conseguindo entregar a lanterna vermelha aos Aston Martin e McLaren.

F1 GP Bahrain: e os novos regulamentos? Cumprem a função?

Sinceramente? Não sei! O Bahrain não é uma pista crítica em termos de ultrapassagem e o DRS nem sempre é essencial para uma ultrapassagem. Desde logo houve quem dissesse que não é preciso e que se pode retirá-lo. Não pode. Por enquanto… não pode!

Os pilotos mais veteranos e experientes dizem que está mais fácil ultrapassar e o duelo Verstappen e Leclerc provou isso. Há, efetivamente, menos turbulência. Mas Sahkir é uma pista que degrada muito os pneus. E houve demasiada degradação. O “delta” entre o mais macio e o mais duro superava os 2 segundos, pelo que a Pirelli terá de regressar ao estirador para melhorar a oferta.

Enfim, o GP da Arábia Saudita – em causa devido a ataques terroristas – não vai ajudar e só quando chegarmos a Imola será possível ver como tudo evoluiu.

GP Bahrain – Sakhir

Classificação final

1º Charles Leclerc (Ferrari F1-75), 57 voltas em 1h37m33,m584s; 2º Carlos Sainz (Ferrari F1-75) a 5,598s; 3º Lewis Hamilton (Mercedes W13), a 9,675s; 4º George Russell (Mercedes W13), a 11,211s; 5º Kevin Magnussen (Haas VF22 – Ferrari), a 14,754s; 6º Valtteri Bottas (Alfa Romeo C42 – Ferrari), a 16,119s; 7º Esteban Ocon (Alpine A522 – Renault), a 19,423s; 8º Yuki Tsunoda (Alpha Tauri AT03 – Red Bull Powertrain), a 20,386s; 9º Fernando Alonso (Alpine A522 – Renault), a 22,390s; 10º Guanyou Zhou (Alfa Romeo C42 – Ferrari), a 22,390s. Classificados 17 pilotos

Classificação do Mundial de Pilotos

1º Charles Leclerc, 26 pontos; 2º Carlos Sainz, 18 pts; 3º Lewis Hamilton, 15 pts; 4º George Russell, 12 pts; 5º Kevin Magnussen, 10 pts; 6º Valtteri Bottas, 8 pts; 7º Esteban Ocon, 6 pts; 8º Yuki Tsunoda, 4 pts; 9º Fernando Alonso, 2 pts; 10º Guanyou Zhou, 1 pt.

Classificação do Mundial de Construtores

1º Ferrari, 44 pontos; 2º Mercedes, 27 pts; 3º Haas Ferrari, 10 pts; 4º Alfa Romeo Ferrari, 9 pts; 5º Alpine Renault, 8 pts; 6º Alpha Tauri Red Bull Powertrain, 4 pts.

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