Fórmula 1 2022: afinal, os novos regulamentos… funcionam?!

Fórmula 1 2022: afinal, os novos regulamentos… funcionam?!

29/03/2022 0 Por Autoblogue
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O aumento vertiginoso do batimento cardíaco em duas semanas consecutivas quando estava sentado, confortavelmente, no sofá prova isso mesmo. A Fórmula 1 mudou… para melhor!

Já não há dúvidas: o novo regulamento técnico que prescinde do apoio aerodinâmico no corpo do carro em favor do efeito de solo atirando o ar para cima e não para trás, funciona. Os carros, como se provou em Gidá, conseguem andar mais perto uns dos outros. Está perfeito? Não porque ainda há problemas com os pneus e ainda não se pode prescindir do DRS. 

Poderia pegar na batalha entre Max Verstappen e Charles Leclerc, mas penso que a luta entre Esteban Ocon e Fernando Alonso, colegas de equipa na Alpine F1 Team, é mais ilustrativa. Será menos lembrada que a da vitória, mas a peleja entre o francês e o espanhol foi, verdadeiramente, espetacular.

Fórmula 1: ultrapassagens possíveis!

E foi possível ver ultrapassagens, recuperações e lutas roda com roda dentro de uma volta só. Mas que duraram ao longo de várias voltas! Acredito que os médicos da Alpine estavam a postos com os desfibrilhadores não fosse Otmar Szafnauer e os restantes homens da equipa no muro das boxes sucumbirem ao que estavam a ver.

Em suma, foi possível ver corridas quase, quase mesmo, ao nível do que se assistiu há muitos, muitos anos.

Olhando com atenção as imagens, percebe-se que os monolugares têm mais aderência na frente, há menos desgaste dos pneus – mesmo numa pista abrasiva como Gidá e com alguns pilotos a usarem e abusarem das escorregadelas de traseira – e, pelo que se sabe, não há problemas com o arrefecimento dos motores.

Ora, o novo regulamento tinha como missão permitir andar mais perto uns dos outros, reduzir o desgaste dos pneus e evitar problemas mecânicos devido à falta de refrigeração. Tudo concretizado e com a oportunidade de ver carros diferentes com soluções divergentes.

As corridas do Bahrain e de Gidá confirmaram a teoria, mas não está a missão concluída.

Acabar com o DRS será possível?

Infelizmente, para já… não! Os pilotos são unânimes ao dizer que sem DRS as ultrapassagens ainda são difíceis. Andar a um ou dois segundos do carro da frente já é possível, ultrapassar sem o DRS, não. 

Verstappen disse isso mesmo no final da corrida na Arábia Saudita. Se não tivesse DRS, tinha acabado no segundo lugar. Leclerc perdeu a corrida, mas não deixou de dizer que o DRS é preciso. E Carlos Sainz defendeu o DRS ao dizer que sem esse dispositivo a ultrapassagem é muito mais complicada.

Porém, o espanhol toca num ponto interessante. O DRS é mais eficaz nos circuitos que exigem mais asa traseira. Menos nos traçados velozes que impõe pouca asa. Ora, o que Carlos Sainz questiona é o delta de velocidade a mais que o DRS oferece. Para o piloto da Ferrari, a diferença de velocidade oferecida pelo sistema que anula a asa traseira é exagerada. Porque muitas vezes, antes de chegar à travagem já a ultrapassagem está feita.

Parece-me interessante pensar, antes de anular o DRS, redesenhar o sistema e ao invés de libertar, totalmente, a asa traseira. Como? Não sendo especialista em aerodinâmica, alvitro uma janela mais curta para passagem do ar. Ou uma abertura mais estreita, com o cabo do DRS a puxar só metade da janela.

Fórmula 1

O que fazer com o DRS?

Olhando para a luta entre Verstappen e Leclerc, era evidente a menor asa do Red Bull e a maior carga do Ferrari. O F1-75 era veloz no primeiro setor, onde fazia falta o apoio aerodinâmico, perdia alguma coisa para os Red Bull nos restantes onde a velocidade era exigida.

O neerlandês fazia das tripas coração para não perder muito para o monegasco, depois ficava confortável no resto e, com o DRS, desenhou a estratégia certa para “caçar” o Ferrari. Conseguiu a ultrapassagem e consolidar a posição face a um Ferrari que já estava com os pneus nos limites. Mas se não tivesse DRS, apesar de ser bem mais rápido que Leclerc em linha reta, dificilmente tinha chegado à vitória. Como ele confessou e como ficou evidente enquanto o DRS não foi autorizado depois do “Safety Car”. 

A questão da aerodinâmica será definitivamente validada quando o Mundial de Fórmula 1 chegar ao Velho Continente e a pistas como Imola ou Barcelona. O traçado italiano, tal como o espanhol, têm curvas clássicas longas e de apoio. Aí veremos se as novas regras funcionam fora dos traçados “artificiais” deste início de temporada. Mas há outro problema para resolver.

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Fórmula 1: pneus ainda são problema

A Pirelli tem sido crucificada ao longo dos anos, carregando nos ombros o ónus de fazer maus pneus, quando eram exigências das equipas e da Fórmula 1. O facto de não haver mais de um fornecedor de pneus impede o desenvolvimento. Com o regresso do efeito de solo, talvez fosse uma boa ideia fazer regressar mais um construtor de pneus.

Durante estas duas primeiras provas, houve, claramente, problemas com os pneus. Desde logo alguma surpresa com o comportamento das borrachas. Em Gidá, com os pneus duros (faixas brancas) os pilotos não tinham dificuldade em andar atrás uns dos outros. Demoravam muito a chegar à temperatura ideal, mas quando isso acontecia, não sofriam com o arrasto nem com o abuso de utilização por parte dos pilotos.

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Com os pneus médios (faixa amarela) e macios (faixa vermelha), a degradação era evidente e, rapidamente, perdiam aderência. E se no Bahrain a Ferrari e a Red Bull não sentiram muitas dificuldades com isso, em Gidá, as coisas foram diferentes. Os pneus macios sofreram um pouco. Mas a culpa não é só dos pneus.

Os carros estão mais pesados e o peso obriga a levar as borrachas da Pirelli para lá dos limites. E quando as equipas usaram os pneus macios com depósito cheio, as rodas com faixa vermelha sofreram. Como as equipas quiseram livrar-se depressa desses pneus e apostaram na durabilidade dos duros, acabaram por ter de poupá-los.

O aumento de peso não fez bem aos carros e muitos dos problemas de algumas equipas está no peso muito acima do limite. Vide o caso da Mercedes que terá uma evolução do W13 em três andamentos, um dos quais incidirá sobre o peso.

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Fórmula 1 mudou… para melhor!

A grande verdade é que a Fórmula 1 mudou… para melhor! Corridas emocionantes, lutas ao longo de todo o plantel, enfim, ingredientes que, finalmente, começam a fazer regressar a Fórmula 1 ao local onde esteve e merece estar.

Podem os odiosos do costume dizer que a Fórmula 1 está bipolarizada entre Red Bull e Ferrari. Mas peço-lhes que tirem as palas dos olhos e lembrem a evolução dos Alfa Romeo e dos Haas, as lutas entre a Alpha Tauri e a Alpine ou a luta constante para evoluir conceitos diferentes da Mercedes e McLaren. Sem esquecer a Aston Martin e a Williams. 

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