“Safety Car” na F1: toda a história!

“Safety Car” na F1: toda a história!

14/04/2022 0 Por Jose Manuel Costa
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O “Safety Car” na F1 é coisa recente, ou melhor, medianamente recente. São 49 anos de utilização, embora tenho sido a partir de 1997 que a coisa tenha entrado nos eixos.

À primeira vista parece que o “Safety Car” sempre existiu na Fórmula 1. Não é verdade, pois a primeira aparição de um “Safety Car” na disciplina de topo da competição automóvel aconteceu em 1973 no GP do Canadá.

"Safety Car" na F1

“Safety Car” na F1 começou como… Pace Car

Tudo aconteceu no traçado de Mosport Park com 40 mil pessoas a ver. Numa reunião entre os Colégio de Comissários Desportivos e a GPDA (Grand Prix Drivers Association), foi aceite a utilização de um carro como manutenção do ritmo. 

Chamava-se Pace Car, influência dos Estados Unidos da América, que sempre tiveram o “Pace Car”. E sabem que carro era? Um Porsche 914 amarelo! Que foi conduzido por um ex-piloto de Fórmula 1 chamado Eppie Wietzes. Um canadiano nascido na Holanda que fez duas corridas de F1, uma em 1967 (Lotus – Ford Cosworth) e outra em 1974 (Brabham – Ford Cosworth), sempre no Canadá. 

O curioso desta utilização é que ninguém percebia como usar o novo recurso. Por via da sua utilização incorreta, vários pilotos ficaram com 1 volta de atraso e foram precisas horas de escrutínio e de muitas contas para determinar que o vencedor foi Peter Revson. Talvez por isso, o “Pace Car” esteve duas décadas arrumado…

"Safety Car" na F1

Episódica aparição no Mónaco em 1976

O GP do Mónaco de 1976 voltou a ver em pista um Pace Car, um Porsche 911, numa aparição única. Uma prova onde a Lotus cumpriu o seu 200º Grande Prémio e Niki Lauda reclamou a 12º “pole position” da carreira, a Ferrari conquistou a 63º vitória e Jody Scheckter rubricou o 10º pódio da carreira. O Tyrrell P34 foi o primeiro – e único! – carro de seis rodas a conseguir um pódio no Mundial de Fórmula 1. Foi uma prova ganha por Niki lauda que liderou da luz à bandeira.

GP do Mónaco foi diferente

O “Pace Car” voltou em 1981, mas apenas no GP do Mónaco. E porque as coisas ali são todas em grande, nas três edições de 1981, 82 e 83, o “Pace Car” foi um… Lamborghini Countach. A sua utilização foi mais uma operação de charme que outra coisa e até 1992 nunca mais se ouviu falar do “Pace Car”.

“Safety Car” regressou em 1993

O regresso do ”Safety Car” à Fórmula 1 não se fez da melhor maneira. Imaginem a cara de Damon Hill quando ao volante do seu Williams fpi apanhado por uma valente bátega de água e à sua frente surgiu um… Fiat Tempra 2.0 16V! A promoção do modelo foi fantástica e Ayrton Senna deu uma ajuda ao colocar o corpo fora da janela traseira de um dos Safety Car com a bandeira do Brasil. 

Recordamos que nesta altura, eram as organizações que tratavam dos “Safety Car” e que os modelos não tinham rigorosamente preparação alguma. Eram carros vindos do espaço de vendas.

E se em 1993 tivemos direito a um Fiat Tempra 1.0 16V no GP do Brasil, no Grande Prémio do Reino Unido foi a vez de ser usado um Ford Escort RS Cosworth.

“Safety Car” na F1: o Vectra de Senna

Um dos “Safety Car” que ficaram na memória de todos foi o Opel Vectra 2.0 16V usado no GP de San Marimo de 1994. Foi o ano em que Rubens Barrichello quase se matava num despiste à entrada da reta da meta, Roland Ratzenberger morreu num despiste nos treinos, Pedro Lamy acertou em cheio no carro que estava à sua frente e Ayrton Senna mergulhou para a morte na curva Tamburello. O carro que liderou o pelotão não foi o Ferrari ou o Alfa Romeo que em 1989 tinha ajudado a salvar Gerhard Berger, entre o violento acidente que mergulhou o Ferrari numa bola de fogo até chegarem os bombeiros passaram 16 segundos. Até estar extinto o incêndio, passaram 10 segundos. 

Quem liderou o pelotão depois do acidente de Senna foi o Opel Vectra 2.0 16V, tendo ganho destaque por isso, mas sendo menos recordado porque todos estavam presos ao que se passava com Senna.

Nesse mesmo ano de 1994 ainda foi possível ver um Honda Prelude no GP do Japão. Prova debaixo de chuva copiosa, conheceu várias intervenções do Pace Car numa corrida ganha por Damon Hill na frente de Michael Schumacher. 

Uma prova sui generis: Andrea de Cesaris não foi ao Japão por ter decidido abandonar a carreira após Jerez; JJ Letho entrou para o seu lugar na Sauber Mercedes depois de ter sido apeado da Benetton por Johnny Herbert; Erik Bernard perdeu o lugar na Lotus para Mika Salo; Ligier trocou Herbert por Franck Lagorce; a Simtek exibia o 6º piloto do ano com o japonês Taki Inoue.

O ponto mais baixo

No ano de 1995, o Pace car regressou para o GP da Bélgica (Porsche 911), numa prova controversa ganha por Schumacher depois de uma defesa musculada face a Damon Hill. Prova que assinalou a 10ª prova de Pedro Lamy na Fórmula 1, a 16ª vitória de Michael Schumacher e o pódio 100 para a Williams, cortesia de Damon Hill.

No Grande Prémio do Canadá de 1995, surgiu um “Safety Car” na forma de um Lamborghini Diablo. Uma prova que ficou célebre pelo final de corrida num perfeito caos devido ao público que invadiu a pista quando ainda havia pilotos a terminar a prova. Schumacher quase entrava pela traseira do Ligier Mugen Honda de Olivier Panis, entre outras peripécias.

A direção de prova decidiu recuar a classificação para a volta anterior e acabou por ser Jean Alesi num Ferrari a ganhar.

Mas o ponto mais baixo – e não pelo carro, diga-se! – deu-se no Grande Prémio da Argentina de 1996. O carro usado foi um… Renault Clio 16S modificado que, depois, deu origem à série especial Clio Williams com motor 2.0 16V. Do qual foram feitos apenas 3.800 carros que devido à exposição no GP da Argentina, desapareceram num piscar de olhos.

Finalmente, a F1 toma conta do “Safety Car”

Depois de experiências pouco consistentes, a FIA fez um acordo com a Mercedes para fornecer o, agora, “Safety Car” Oficial da F1. Uma parceria que se mantém até hoje e que engloba, também, o carro médico. A Mercedes entregou a tarefa à AMG.

Ainda em 1996, surgiu um Mercedes AMG C36 no Grande Prémio da Bélgica. Foi o primeiro Mercedes a surgir como “Safety Car” numa prova ganha por Michael Schumacher. Damon Hill, que se sagraria campeão do Mundo no final da temporada de 1996, viu Jacques Villeneuve ameaçar aquela que foi a sua única coroa mundial.

A Mercedes ainda levou o C36 AMG para os GP do Brasil e de São Marino de 1997 (ganhos por Jacques Villeneuve e Heinz Harald Frentzen). Tinha um motor de 3.6 litros com 280 CV, mas não foi muito utilizado. 

"Safety Car" na F1

No GP do Mónaco (ganho por Michael Schumacher) estreou o CLK 55 AMG (C-208). Com um V8 de 5.4 litros e 345 CV, o carro estava mais ao nível da Fórmula 1. Em 1997 ainda fez o GP da Europa disputado em Jerez de La Frontera, ganho por Mika Hakkinen (McLaren Mercedes). O CLK 55 AMG foi usado em todas as provas de 1998, sem grandes intervenções.

Safety Car na F1: os coupés da Mercedes AMG

O CLK 55 AMG fez uma pausa para a Mercedes AMG promover o CL 55 AMG (o coupé do Classe S) em 1999 e em 2000, equipado com uma evolução do motor V8 da AMG com 360 CV. Destaque para os Grande Prémio do Canadá e da França.  No primeiro, o carro esteve quatro vezes em pista devido à muita chuva, tendo a corrida terminado atrás do CL 55 AMG. Aliás, o GP do Canadá de 1999 registou o recorde de intervenções do Safety Car e foi a primeira corrida de F1 a acabar atrás do carro de segurança.

"Safety Car" na F1

No segundo, voltou a estar em destaque com múltiplas passagens pela pista devido á muita chuva que provocou vários incidentes. Foi o Mercedes CL 55 AMG que ajudou Heinz-Harald Frentzen a vencer uma corrida com um Jordan – Mugen Honda depois de apostar numa corrida de consumo.

Imediatamente o CL 55 AMG deu lugar em 2001 ao novíssimo SL 55 AMG, equipado com um V8 de 5.4 litros e 500 CV! Era, na época, o carro com caixa automática mais veloz do Mundo! Curiosamente, poucas vezes entrou em ação em 2001 e em 2002. 

"Safety Car" na F1

Em 2003 regressou o CLK 55 AMG (versão C209) e no GP do Brasil de 2003, debaixo de uma chuva torrencial, a 700ª corrida da Fórmula 1 acabou em caos e com o Safety Car a ter intervenção determinante.

Liderou o pelotão durante oito voltas, voltou pouco depois devido a um acidente. Mas a confusão estava lançada e Charlie Whiting viu em palpos de aranha para conseguir oficializar a classificação de uma prova que foi ganha por Giancarlo Fisichella ao volante de um Jordan – Ford Cosworth. 

Foi neste GP do Brasil de 2003 que a Jordan venceu pela última vez (conseguiu 4 vitórias com Damon Hill na Bélgica em 1998, Heinz Harand Frentzen na França e em Itália em 1999 e Giancarlo Fisichella em 2003 no Brasil) naquel que foi o seu 200º Grande Prémio e foi a 176º e última vitória do fabuloso motor Ford Cosworth.

Um “Safety Car” coupé descapotável

A Mercedes escolheu o SLK 55 AMG para 2004 e 2005, com o mesmo motor V8 de 5.4 litros, mas com 358 CV. Em 2006, a Mercedes AMG regressou ao CLK 63 AMG, desta feita com o motor V8 com 6.2 litros e 400 CV, durante 2006 e 2007. Foram pouco chamados à ação, exceto no GP do Canadá e da Europa (disputado no Nurburgring) onde a chuva forte fê-los estar em pista durante algum tempo.

Os descapotáveis regressaram para 2008 e 2009 com o Mercedes SL 62 AMG, com motor V8 de 6.2 litros a debitar 520 CV. Nunca foi muito utilizado, exceto em saídas para permitir limpar a pista e pouco mais. 

"Safety Car" na F1

Os “Safety Car”: poderosos SLS e AMG GT

Entre 2010 e até 2014, a Mercedes elevou a fasquia e apareceu o SLS AMG nas versões simples e GT. Um carro poderoso e à imagem da F1, tendo sido desenvolvido com a ajuda de David Coulthard. Dizer que o SLS foi o primeiro carro da Mercedes totalmente desenvolvido pela AMG.

Usava o motor V8 de 6.2 litros biturbo com 565 CV e foi chamado à ação em algumas ocasiões. Nomeadamente, no GP do Canadá de 2011. Que ficou na história como a corrida mais longa da F1 com uma duração de 4h04m39,537s, depois de ter sido interrompida durante 2h04m à volta 25. O SLS AMG esteve em pista seis vezes, cumprindo 32 voltas na frente do pelotão, ou seja, 45% da corrida.

O Mercedes SLS AMG GT (tinha 590 CV) ficou na história pois era o Safety Car no GP do Japão de 2014, prova onde faleceu Jules Bianchi após um embate com uma máquina pesada inopinadamente entrada em pista.

O SLS foi reformado e em 2015 chegou o novo AMG GT com motor V8 biturbo com 4.0 litros que o levava de 0-100 km/h em 3,5 segundos. Desenvolvido, também, inteiramente pela AMG. Nuna esteve sujeito a grandes intervenções, sendo mais uma vedeta fora das pistas que dentro delas.

Desde 2018 que a Mercedes AMG fornece o AMG GT na versão R. A grande diferença nestes últimos anos foi a mudança de cor. E não foi por uma questão de marketing: pintado de vermelho, o “Safety Car fica mais visível em condições de chuva ou fraca visibilidade.

A partir de 2021, a Aston Martin passou a dividir as provas do Mundial de Fórmula 1 com a Mercedes. O Vantage tem o mesmo V8 de 4.0 litros biturbo do AMG GT R com 550 CV e 700 Nm de binário. Esta pintado de verde e vai alternando com o carro da Mercedes.

Este ano, porém, a Mercedes decidiu introduzir a versão Black Series e a diferença para o Aston Martin Vantage acelerou, quanto mais não seja, pelos 730 CV do motor V8 que dá uma superioridade sensível ao carro da Mercedes. Talvez dai venham as criticas ao andamento do Vantage.

“Safety Car”: os números

O “Safety Car” na F1, nas suas múltiplas versões, foi espoletado 291 vezes em 202 Grandes Prémios. 

A primeira vez que foi usado foi no GP do Canadá de 1973, tendo estado em pista cinco voltas entre a volta 33 e a 39. A 25ª vez que foi usado foi no GP da Áustria de 2000 e foi, apenas, durante duas voltas. Já a 50ª vez aconteceu no Grande Prémio do Reino Unido de 2003, devido a detritos e durante 2 voltas.

A 75ª vez que foi lançado para a pista aconteceu no GP dos EUA de 2006, devido a dois acidentes que custaram 5 voltas à corrida. 

A 100º vez que o Safety Car foi usado foi no GP de Singapura, devido a um acidente, tendo estado na pista 6 voltas. A 125º vez foi também em Singapura, tendo estado duas voltas em pista devido a um acidente.

O GP da Europa de 2012 assistiu à 150º vez que o Safety Car foi usado, durante 6 voltas, enquanto a 175º ocasião em que o SC foi espoletado aconteceu no GP da Alemanha de 2014, devido a um acidente sucedendo a uma bandeira vermelha. Esteve em pista 2 voltas.

A 200ª vez que o Safety Car foi usado, foi no GP da Áustria de 2016, tendo estado 4 voltas em pista para limpar detritos. A 250ª vez em que o SC foi chamado à ação, aconteceu no GP da Rússia de 2019 devido a um acidente que custou 3 voltas à corrida.

Dizer que a 275º vez que o Safety Car entrou em pista foi no GP de Portugal de 2021 devido a um acidente, tendo estado 4 voltas no Autódromo do Algarve e a última vez foi no GP da Austrália, devido ao acidente de Sebastien Vettel. Durou, apenas, três voltas.

Quanto ao Safety Car Virtual foi usado por 49 vezes, a primeira delas no Grande Prémio do Mónaco de 2015 devido a um acidente. Esteve ligado uma volta e deu lugar ao Safety Car. A mais recente foi no GP da Austrália deste ano, devido ao incidente de Vettel.

Quanto ao recorde de vezes que o Safety Car foi usado numa prova, pertence ao Grande Prémio do Canadá de 2011. Foi usado seis vezes devido á chuva – a corrida começou atrás do Safety Car – e a acidentes que sucederam devido à muita água no circuito.

Finalmente, foram dez as corridas terminadas atrás do Safety Car. GP do Canadá de 1999 (ganho por Mika Hakkinen), GP da Austrália (ganho por Jenson Button) e GP de Itália de 2009 (ganho por Rubens Barrichello), Grande Prémio do Mónaco de 2010 (Mark Webber), Grande Prémio do Brasil de 2012 (Jenson Button), Grande Prémio do Canadá de 2014 (Daniel Ricciardo), Grande Prémio da China de 2015 (Lewis Hamilton), Grande Prémio do Bahrain de 2019 (Lewis Hamilton) e 2020 (Lewis Hamilton) e Grande Prémio da Bélgica de 2021 (Max Verstappen).

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