Adrien Fourmaux estará no fim da linha com a M-Sport?

Adrien Fourmaux estará no fim da linha com a M-Sport?

29/04/2022 0 Por Autoblogue
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Adrien Fourmaux é um dos nomes que consta da lista de 100 carros inscritos no Rali de Portugal. Mas… esteve quase a ficar de fora!

Richard Millener e Malcolm Wilson estiveram reunidos, como habitualmente, depois do Rali da Croácia. Para perceber porque saíram de lá no terceiro lugar dos construtores e com um magro quarto lugar de Craig Breen. Porém, esse não foi o tema mais quente. Adrian Fourmaux esteve no centro da discussão.

O francês acumula em três ralis dois abandonos devido a fortes despistes que deixaram o Ford Puma Hybrid Rally1 pior que o chapéu de um pobre. Para lá dos custos que adicionou ao balanço da M-Sport, o francês mostrou uma face até agora desconhecida.

Adrien Fourmaux

Adrien Fourmaux com carreira curta

Adrien Fourmaux já tem 27 anos e abandonou o curso de saúde para se dedicar aos ralis. Já fez 57 provas na sua carreira e começou em 2017 com um Ford Fiesta R2T. A seu lado esteve o irmão Maxime Fourmaux (que depois de abandonar os ralis em 2017, fez um rali em 2018 e outro já este ano). Depois, chegou Kévin Parent em 2018, antes de Renaud Jamoul ter sentado ao lado de Fourmaux. Esteve no banco do lado direito até ao Rali da Finlândia de 2021. Altura em que entrou Alexandre Coria.

Curiosamente, o piloto francês andou sempre com carros da Ford. Só quando fez de carro zero mudou de marca: Rallye National des Routes do Nord (Subaru Impreza STI) em 2017, Finale de La Coupe de France des Rallyes Chalon-sur-Saone (Alpine A110) em 2018 e Rallye National Charlemagne Golden Place (Mitsubishi lancer Evo VI) em 2019.

O apoio da Red Bull foi decisivo para se manter no Mundial de Ralis e na M-Sport. Tem como melhor palmarés um 5º lugar (Rali da Croácia de 2021) e já ganhou um troço no Mundial de Ralis. Foi no Rali Safari, no troço Malewa (PEC 16).

Adrien Fourmaux

O que se passa com Fourmaux?

O piloto francês já mostrou talento e é um piloto rápido. Disso, ninguém tem dúvidas. Mas parede que a pressão está a esmagar o piloto. O que sucedeu na Croácia, durante e depois da prova, mostra um Adrien Fourmaux que está diferente. Despistou-se, violentamente, num local onde Thierry Neuville quase perdeu o Hyundai 20 N Rally1. Destruiu de tal forma o Ford Puma que não regressou à prova. 

Acreditando que não seria escutado fora do hexágono, falou com a imprensa francesa e deixou implícito que a culpa do despiste era… da equipa. Porque não o avisaram do que sucedeu com Neuville, que tinha entrado no troço 24 minutos antes de Fourmaux.

Porém, há uma pergunta que tem de ser feita: por que razão o seu navegador, Alexandre Coria, não estava a ver o WRC Live – como fazem todos os outros – e assinalou nas notas que aquela zona estava anormalmente escorregadia? 

Adrien Fourmaux
Alexandre Coria

Adrien Fourmaux escolheu o navegador certo?

Não sei a resposta, mas há uma coisa que posso inferir. Não colocando em causa a qualidade de Coria, a verdade é que quando se sentou ao lado de Fourmaux tinha 12 ralis do Mundial no bolso. Quatro com Vincent Dubert (Portugal, Finlândia, Alemanha e Gales em 2016), dois com Emanuel Guigoiu (Córsega 2019 e Monte Carlo 2020), cinco com Yohan Roussel (Croácia, Portugal, Sardenha, Ypres e Acrópole 2021). Mas, sempre no WRC2. Estreou-se na Finlândia com Fourmaux no WRC, tendo seis provas na categoria principal do Mundial.

E a grande verdade é que desde que Renaud Jamoul saiu do carro, Adrien Fourmaux perdeu andamento e tem cometido erros que se julgavam apagados da sua carreira. 

Naturalmente que o piloto francês pode olhar por cima do ombro e ver o exemplo de Gus Greensmith. O britânico andou “aos papéis”, foi muito duro consigo, mas só melhorou quando tirou do banco do lado direito Elliot Edmondson (hoje navegador de Oliver Solberg) e lá se sentou Chris Patterson. 

A enorme experiência de Patterson, transformou de forma clara as prestações de Greensmith. Tornou-o mais completo, mais tranquilo e a líder melhor com os revezes, tendo a seu lado, agora, Jonas Andersson que o ajudou a ganhar o primeiro troço no Mundial no Monte Carlo (PEC 7, Guillaumes – Péone – Valberg) este ano. Talvez esteja na hora de Malcolm Wilson e Richard Millener indicarem ao francês um novo navegador. Só para dizer que há alguns muito bons em Portugal…

Como será o futuro de Fourmaux?

Adrien Fourmaux está a caminhar em cima de gelo fino. O dinheiro da Red Bull não é razão suficiente para que o francês tenha “mulligans” inesgotáveis na M-Sport. A saída de estrada no Monte Carlo deveu-se a um exagero de Adrien Fourmaux. Sentiu-se o seu desejo de acompanhar o andamento de Sebastien Loeb e, como ele disse muitas vezes, estava naquele que é o seu rali de eleição.

Errou, voou para fora de estrada e abriu a sua conta corrente no chapeiro da M-Sport. Abandonou na Suécia com um problema mecânico, pelo que o acidente na Croácia o deixou a balançar no precipício. 

Adrien Fourmaux terá de usar a sua inteligência para sair deste buraco. Para já conta com a imensa paciência de Malcolm Wilson, um homem que tem uma importância maior do que se pensa no Mundial de Ralis. Habituado a lidar com talento, Wilson tem a paciência e a compreensão para manter Fourmaux no carro.

Acredito que Richard Millener – que já o ano passado em Monza foi muito duro com o francês – quisesse colocar Fourmaux em pausa de reflexão. Mas não há certezas que isso fosse o melhor para a equipa e para o francês.

A paciência de Malcolm Wilson pode acabar…

Portanto, o que resta a Adrien Fourmaux é acalmar, meditar naquilo que tem estado a fazer mal e “pagar” a confiança que Malcolm Wilson mostra nele. E, sobretudo, tem de perceber que não é uma vedeta como Oliver Solberg.

O sueco, filho de Petter Solberg, “aviou” um Hyundai i20 Coupé WRC no Quénia em 2021, deixando-o sem concerto (choque de 19G), voltou a bater na Acrópole e desmontou um i20 N WRC2 na Finlândia. O que é que lhe aconteceu? Foi promovido à equipa principal!

Ora, Fourmaux não tem este capital de confiança na M-Sport, nem a mesma imagem no Mundial de Ralis. Mesmo que Richard Millener tenha dito no Monte Carlo (depois de desancar o piloto devido ao acidente) que Adrien Fourmaux era um dos líderes da equipa.

Enfim, como disse acima, Adrien Fourmaux caminha em gelo fino e Portugal pode ser a boia de salvação ou a guilhotina que pode rasgar a paciência de Malcom Wilson e colocá-lo de volta nos bancos da universidade de medicina…

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