Sabe qual foi a presença da Porsche na F1?

Sabe qual foi a presença da Porsche na F1?

10/05/2022 0 Por Jose Manuel Costa
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Sabe qual foi o último ano em que a Porsche marcou presença na Fórmula 1? Sabe quantas provas ganhou a casa de Weissach na sua passagem pela F1? Sabia que a Porsche já teve um motor de 4 cilindros na F1?

A ideia de que a Porsche vai estar na Fórmula 1 em 2026 leva-me a viajar no tempo, remexer no arquivo e tomar o comprimido para as alergias ao limpar o pó e as teias de aranha.

Sabe qual foi a última vez que a Porsche envolvida como marca construtora de chassis e motores? Foi em 1991. E sim, não foi uma saída muito bonita. Mas, já lá vamos… 

A primeira presença da Porsche na F1 deu-se em 1958 quando Carel Godin de Beaufort inscreveu um Porsche RSK da Ecurie Maarsbergen e terminou no 9º lugar o Grande Prémio dos Países Baixos, disputado em Zandvoort.

Sabe qual

Sabe qual foi a presença da Porsche nos primeiros anos da F1?

O holandês fez 26 provas, 24 das quais com a Porsche. O motor era o 547/3, um quatro cilindros com 1498 c.c. e 170 CV às 8.500 rpm.

No ano seguinte, a Porsche disputou três corridas: GP do Mónaco (Wolfgang von Trips num 718 com pneus Dunlop, fez 12º na qualificação e abandonou devido a acidente);  GP dos Países Baixos (disputado em ZandvoortCarel Godin de Beaufort, com um RSK dotado de pneus Dunlop, fez 14º na qualificação e 10º na corrida) e GP dos Estados Unidos (disputado em Sebring, com Harry Blanchard que usou um RSK com pneus Continental, saiu da grelha de 16º e terminou a corrida em 7º). 

Em 1960, no GP da Argentina (Bueno Aires), Masten Gregory usou um Porsche Behra para ser 12º saindo de 16º da grelha. O GP da Itália foi disputado por três pilotos que usaram um Behra e dois 718. O primeiro estava entregue a Fred Gamble, os ouros dois a Hans Herrmann e a Edgar Barth, o pai de Jurgen Barth, conhecido engenheiro e piloto da Porsche. Gamble foi 10º, Herrmann foi 6º e Barth ficou no 7º lugar. Todos usaram pneus Dunlop e o motor 547/3.

Sabe que

1961: um ano com dois segundos lugares

A Porsche inscreveu os modelos 718 e 787, todos com o motor 547/3 e pneus Dunlop. O GP do Mónaco foi o primeiro com Hans Herrmann, Dan Gurney e Jo Bonnier. Herrman saiu de 12º, terminou em 9º e Gurney fez o 10º tempo, fechando a corrida no 5º ponto. Quanto a Bonnier, ficou em 12º devido a um problema com a bomba de gasolina.

No GP dos Países Baixos, em Zandvoort, estiveram Hans Herrmann (12º na grelha, 15º no final da corrida), Carel Godin de Beaufort (15º na grelha, 14º no final), Dan Gurney (6º na grelha, 10º classificado na corrida) e Jo Bonnier (11º na grelha e no final da prova).

Carel Godin de Beaufort (14º na grelha e 11º na corrida), Dan Gurney (10º na grelha e 6º na corrida), Jo Bonnier (13º na grelha e 7º na corrida) fizeram o GP da Bélgica em Spa Francorchamps.

A 10º prova da Porsche na Fórmula 1 foi o Grande Prémio de França, no circuito de Reims. Carel Goudin de Beaufort (17º na grelha, abandono com motor partido), Dan Gurney (10º na grelha, 6º na corrida) e Jo Bonnier (13º na grelha, 7º na corrida) foram os pilotos escolhidos.

Sabe que para o Grande Prémio do Reino Unido, disputado no traçado de Aintree, Carel Goudin de Beaufort (18º na grelha, 16º na corrida), Dan Gurney (17º na grelha, 7º na corrida) e Jo Bonnier (3º na grelha, 5º na corrida) voltaram a ser os pilotos escolhidos.

Disputado no Nurburgring, o Grande Prémio da Alemanha foi disputado por Carel Goudin de Beaufort (17º na grelha, 14º na corrida), Dan Gurney (7º na grelha, 7º na corrida) e Jo Bonnier (8º na grelha, abandonou com o motor partido), juntando-se a eles o alemão Hans Herrmann que foi 11º na grelha e 13º na corrida.

No GP da Itália, realizado em Monza, voltaram Carel Goudin de Beaufort (15º na grelha, 7º na corrida), Dan Gurney (12º na grelha, 2º na corrida) e Jo Bonnier (8º na grelha, abandonou com a suspensão partida) foram os pilotos escolhidos.

A Porsche encerrou o ano com a presença no Grande Prémio dos EUA, disputado em Watkins Glen. Desta feita estiveram presentes apenas Dan Gurney (7º na grelha e 2º na corrida) e Jo Bonnier (10º na grelha e 6º na prova).

Sabe que

Sabe qual foi a corrida ganha pela Porsche em 1962?

O ano de 1962 trouxe um novo chassis (o 804) que foi sendo usado em alternância com o 718 e o 787, e um novo motor. O 753 era um pequenino V8 com 1.5 litros (1494 c.c.) que debitava 185 CV às 9.200 rpm. Todos usaram pneus Dunlop.

O campeonato começou para a Porsche no GP dos Países Baixos com Bem Pon (787 com motor 547/3), Carel Godin de Beaufort (718 com motor 547/3), Dan Gurney e Jo Bonnier (ambos com o novo 804 com motor 753). O primeiro foi 18º e abandonou, o segundo saiu de 14º e chegou ao fim em 6º, o terceiro saiu de 8º para abandonar com a caixa de velocidades partida e o quarto ficou em 7º depois de sair de 13º.

No GP do Mónaco, apenas estiveram presentes Dan Gurney e Jo Bonnier com os 804 com motor V8. Gurney saiu de 5º, mas abandonou devido a despiste, enquanto Bonnier saiu de 13º e terminou em 7º. No GP da Bélgica, só esteve Carel Goudin de Beaufort, que acabou a prova disputada em Spa no 7º lugar depois de sair de 13º da grelha de partida.

Para o GP da França, disputado em Rouen-les-Essarts, Carel Goudin de Beaufort (com um 718 foi 17º na grelha, terminou a corrida em 6º) e Jo Bonnier (9º na grelha, 10º na corrida com problemas na caixa de velocidade).

A Porsche teve, aqui, a sua hora de glória com a vitória de Dan Gurney, depois de ter saído de 6º lugar da grelha de partida. A “pole position” foi para Jim Clark (Lotus Climax) e Gurney liderou, apenas, 12 voltas. Fez a terceira volta mais rápida.

No GP da Grã-Bretanha, realizado em Aintree, Carel Goudin de Beaufort (17º na grelha, 14º na corrida), Dan Gurney (6º na grelha, 9º na corrida) e Jo Bonnier (7º na grelha, abandonou com transmissão partida) foram os pilotos.

No GP de casa, disputado no Nurburgring, a Porsche inscreveu cinco carros, três 718 e dois 804. Nos primeiros estiveram Heini Walter (14º na grelha e na corrida), Nino Vaccarella (15º na grelha e na corrida) e Carel Goudin de Beaufort (8º na grelha, 13º na corrida).

Jo Bonnier foi 6º na grelha e 7º no final da corrida e, uma vez mais, Dan Gurney deu espetáculo ao rubricar a “pole position”, mas acabaria em 3º atrás de Graham Hill (BRM) e de John Surtees (Lola-Climax).

No GP de Itália, em Monza, regressou a formação habitual: Carel Goudin de Beaufort (20º na grelha, 10º na corrida), Dan Gurney (7º na grelha, 13º na corrida com problemas de transmissão) e Jo Bonnier (9º na grelha, 6º na corrida).

Exatamente os mesmos pilotos estiveram no GP dos EUA, em Watkins Glen. Beaufort foi 13º nos treinos, abandonando devido a acidente, Bonnier foi 9º nos treinos e 13º na corrida e Gurney saiu de 4º e acabou em 5º.

A derradeira prova de 1962 foi o GP da África do Sul (East London) com Carel Goudin de Beaufort a sair de 16º e terminar em 11º depois de problemas com a bomba de gasolina.

Sabe que

1963 a 1964: os anos da depressão

Sem o contributo de Jo Bonnier (foi para a Cooper) e Dan Gurney (saiu para a Brabham), ficou Carel Goudin de Beaufort. Não teve direito a usar o 804 e o motor V8 e em duas provas teve a companhia de Gerhard Mitter, piloto alemão nascido na República Checa. Fez quatro provas (os GP dos Paises Baixos e da Alemanha em 1963 com a equipa de Beaufort e os GP da Alemanha de 1964 e 1965 com um Lotus Climax) e faleceu com 33 anos num acidente a testar um Fórmula 2 no Nurburgring. 

Sabe que Carel Goudin de Beaufort esteve presente nos GP da Bélgica (18º na grelha, 6º na corrida), Países Baixos (19º na grelha, 9º na corrida), Grã-Bretanha (21º na grelha, 10º na corrida), Alemanha (17º na grelha, abandono depois de perder uma roda), Estados Unidos (19º na grelha, 6º na corrida), México (18º na grelha, 10º na corrida) e África do Sul (20º na grelha, 10º na corrida).

Mitter fez o GP dos Países Baixos e da Alemanha, tendo sido 16º na grelha em Zandvoort e 15º no Nurburgring. Abandonou nos Países Baixos com a embraiagem partida e foi 4º na Alemanha.

Em 1964, Carel Goudin de Beaufort disputou o GP dos Paises Baixos, foi 17º na grelha e abandonou com o motor partido. Foi a sua última corrida, pois faleceu após um acidente nos treinos para o Grande Prémio da Alemanha com apenas 30 anos.

Este período da casa de Weissach na Fórmula 1 saldou-se por 35 provas disputadas ao longo de sete temporadas, reclamando 1 vitória, 1 pole position e 5 pódios. Fez 166 km na liderança (19 voltas) e percorreu um total de 21.258 km.

Sabe qual foi o passo seguinte da Porsche na F1?

A Porsche já estava afastada oficialmente desde 1962, mas 29 anos depois, em 1991, a equipa Footwork foi “bater” à porta da Porsche para que esta fizesse um motor. 

A Footwork não era mais que a equipa Arrows de Jackie Oliver. Era preciso um patrocinador forte e ele foi encontrado em Wataru Ohashi. Mas o japonês só lá colocava o dinheiro para salvar a equipa se tivesse uma parceria com um grande construtor. Juntou-se a fome (necessidade de Oliver) com a vontade de comer (a Porsche queria regressar à F1) e tudo acabou por acontecer.

Sabe que, assim, a Arrows passou a Footwork e a grande manchete era o regresso da Porsche à Fórmula 1. Para isso desenhou um V12 a 80 graus com 3.5 litros. Potente como poucos, mas com um problema de base gravíssimo! Pesava 200 kgs e para se perceber o exagero de peso do motor Porsche, o vetusto Ford Cosworth HB ficava por 135 kgs, o Cosworth DFR pesava 150 kgs, o V10 da Ilmor não ia além dos 140 kgs e o V12 da Honda era o mais “gordito” com 160 kgs. O V10 da Ferrari pesava, apenas, 140 kgs!

Ora, os 680 CV às 13.000 rpm passaram a ser um detalhe. Para piorar as coisas tinha demasiadas inovações e era fiável como gelo ao sol, especialmente, no sistema de lubrificação.

Para lá dos problemas de peso e de fiabilidade do motor, o chassis A11C era uma evolução do carro de 1990. Quando surgiu o FA12, desenhado pelo ex-engenheiro da McLaren, Alan Jenkins, nada podia fazer para contrariar o peso do motor Porsche. As quebras foram mais que muitas e o carro nunca terminou uma corrida.

Para se perceber o que aconteceu, o motor Porsche fez 154 voltas em toda a temporada! Michele Alboreto levou o A11C ao 25º lugar da grelha de partida no GP dos EUA, mas abandonou após 41 voltas com a caixa de velocidades partida. Alex Caffi não conseguiu se qualificar. Depois, no Brasil, Alboreto e Caffi não se qualificaram, o mesmo sucedendo em San Marino (Imola). 

Sabe que no Mónaco, Alex Caffi passou a pré-qualificação, mas ficou na qualificação, ultrapassada por Michele Alboreto? Foi 25º na grelha de partida e fez 39 das 78 voltas, abandonando com o motor partido.

No Canadá, os dois carros conseguiram a qualificação para a corrida, mas Alex Caffi tinha dado o seu lugar a Stefan Johansson, depois de um violento acidente no Mónaco. Alboreto foi 21º entre 26 carros e Johansson foi 25º. Na corrida, após 48 voltas, o sueco abandonou com o motor partido e Alboreto fez duas voltas até se partir o acelerador.

No GP do México, Stefan Johansson não se qualificou, Alboreto foi 26º e último na grelha, abandonando sem pressão de óleo após 24 voltas. Foi a gota de água e Wataru Ohashi, furioso, exigiu medidas a Jackie Oliver. Que deixou de lado os motores Porsche e deitou mão aos motores Ford Cosworth.

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